Um homem de 69 anos foi condenado a 30 anos e 10 meses de prisão em regime fechado pelo feminicídio da esposa, cometido em maio de 2025, no município de Sorriso, localizado a 420 km de Cuiabá. O julgamento ocorreu nesta quinta-feira (29), quando os jurados reconheceram que o crime foi praticado em contexto de violência doméstica e familiar contra a mulher, consolidando uma sentença rigorosa baseada em provas contundentes de histórico de ameaças e agressões.
Durante a sessão do tribunal do júri, o Ministério Público de Mato Grosso apresentou evidências detalhadas sobre o relacionamento que durou cerca de 35 anos. Entre os documentos anexados ao processo estava um boletim de ocorrência registrado pela própria vítima em junho de 2013, no qual relatava o temor de consequências mais graves e explicava que as intimidações sofridas a impediram de romper o vínculo matrimonial anteriormente. Depoimentos de familiares confirmaram a persistência do controle e das ameaças ao longo das décadas.
Dinâmica do crime e resposta policial
A investigação apontou que a vítima foi atacada com mais de dez golpes de faca no quarto da residência do casal, situada no bairro Benjamin Raiser. O neto de 14 anos encontrou a avó gravemente ferida e acionou o socorro, mas a mulher não resistiu à hemorragia interna e externa provocada pelas perfurações no tórax, abdômen, costas e braços, vindo a óbito após atendimento no Hospital Regional de Sorriso.
Após cometer o ato, o agressor lavou a arma branca, deixou o veículo na casa de um funcionário e confessou o crime a uma das filhas. A Polícia Militar o localizou escondido em outra residência na cidade e efetuou a prisão em flagrante, encaminhando-o inicialmente a uma Unidade de Pronto Atendimento devido a ferimentos pelo corpo. Em depoimento durante o processo, um policial militar revelou que o réu demonstrou frieza ao receber a notícia da morte da esposa, respondendo com a frase “Graças a Deus”.
Impacto na comunidade e histórico da vítima
Reconhecida como pioneira no município, a mulher recebeu homenagens póstumas da prefeitura, que decretou três dias de luto oficial diante da repercussão do caso. As autoridades locais destacaram a relevância de sua trajetória para o desenvolvimento da região, enquanto entidades de proteção reforçaram os canais de apoio disponíveis no estado, como o aplicativo SOS Mulher MT, voltado para o acionamento de medidas protetivas e atendimento a situações de vulnerabilidade.