A suspensão de pagamentos a fornecedores com contratos regulares para priorizar repasses a empresas de publicidade está no centro do suposto esquema milionário de corrupção investigado pela Polícia Federal no Tribunal de Contas de Mato Grosso. Segundo os investigadores, a prática teria facilitado o desvio de recursos públicos e está entre as suspeitas que levaram à prisão do presidente do tribunal e de outras cinco pessoas.
As autoridades policiais identificaram saques de grande valor atribuídos ao presidente do órgão e movimentações expressivas realizadas por um dos investigados em um curto período. A apuração analisa a relação entre essas transações financeiras, os contratos administrativos e o possível direcionamento de verbas públicas para favorecer determinados grupos.
Prisões e afastamentos determinados pelo tribunal superior
A decisão do Superior Tribunal de Justiça resultou não apenas nas prisões do presidente do órgão e de um procurador, mas também no afastamento de conselheiros e de um conselheiro aposentado que atuava como consultor. A operação mobilizou centenas de agentes e cumpriu dezenas de mandados de busca e apreensão em diferentes estados do país.
Durante as diligências, as equipes policiais apreenderam documentos, caixas contendo dinheiro em espécie, relógios e veículos de luxo. As medidas cautelares incluíram ainda o bloqueio de bens e a quebra de sigilos para aprofundar o rastreamento do dinheiro.
Dinâmica da fraude e priorização de publicidade
De acordo com a apuração conduzida pelos investigadores, o grupo utilizava o controle sobre as ordens de pagamento do tribunal para beneficiar agências de publicidade enquanto fornecedores essenciais sofriam com a paralisação de seus repasses. A suspeita é de que essa manobra administrativa criava o ambiente propício para a retenção e o posterior desvio do erário.
A investigação também apura se a suspensão proposital de repasses funcionava como mecanismo de pressão sobre prestadores de serviço. O órgão policial destacou que o monitoramento bancário revelou transações atípicas e retiradas frequentes de espécie realizadas nas próprias dependências do tribunal.