O professor de direito da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Saulo Tarso Rodrigues, teve sua prisão preventiva decretada e cumprida nesta segunda-feira (10). A medida, executada pela Polícia Civil, decorre do descumprimento de restrições judiciais impostas em processos que investigam denúncias de assédio, ameaça e perseguição contra o docente.
O caso, que tramita sob sigilo, aponta para uma reincidência de comportamentos que, segundo a Justiça, colocam em risco a ordem pública e a integridade da produção de provas. O professor já havia sido alvo de uma condenação anterior por perseguição, conhecida juridicamente como stalking, envolvendo uma ex-companheira.
Violação de medidas e coação processual
A decisão da juíza Henriqueta Ferreira Lima fundamenta a prisão na persistência do investigado em ignorar as determinações do Poder Judiciário. Entre as condutas listadas no documento, destaca-se a tentativa de manter contato indireto com a vítima, utilizando terceiros como intermediários, além da abordagem direta a testemunhas do processo.
Além disso, o professor é acusado de violar o sigilo processual ao compartilhar informações de uma ação judicial em um grupo acadêmico com centenas de integrantes. A Justiça também considerou grave a divulgação de material jornalístico classificado como difamatório contra a vítima, evidenciando que as medidas cautelares anteriores foram insuficientes para cessar as investidas.
Afastamento e investigações na UFMT
No âmbito administrativo, a UFMT oficializou o afastamento cautelar de Saulo Tarso Rodrigues no último dia (24). A medida foi estabelecida por meio de uma portaria da Reitoria, após a instituição receber denúncias de assédio, insistência em contatos e ameaças direcionadas a uma estudante do campus Cuiabá.
Em manifestações anteriores ao g1, o docente negou as acusações, sustentando que suas interações com a aluna possuíam caráter estritamente acadêmico. Ele também alegou que o conflito teria origem em denúncias feitas por sua esposa, também estudante de direito, sobre supostas irregularidades no vínculo acadêmico e socioeconômico da vítima.
Histórico de condenação por stalking
A situação jurídica do professor agravou-se após a condenação, em (21), pelo crime de perseguição contra sua ex-companheira. Conforme a denúncia do Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT), o réu enviou e-mails de forma insistente entre setembro e outubro de 2022, ignorando a falta de consentimento da vítima.
A defesa de Saulo Tarso Rodrigues tentou, sem sucesso, anular a ação alegando falhas processuais e questionando a validade de provas digitais. Em (3) de junho, o desembargador Orlando Perri, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, manteve a condenação válida, reafirmando a legalidade da citação realizada via aplicativo de mensagens.