Um projeto inovador desenvolvido na Clínica Multidisciplinar da Unimed Cuiabá está transformando o processo de aprendizagem de crianças neurodivergentes. Intitulada “Escrever é uma Aventura”, a iniciativa utiliza os interesses específicos dos pacientes, conhecidos como hiperfocos, como base para o ensino da escrita e da leitura. A metodologia, que culminou no lançamento de livros autorais no dia 27 de agosto de 2026, busca tornar a alfabetização um processo prazeroso e significativo.
A iniciativa nasceu após uma avaliação realizada com pais ao final de 2025, que apontou desafios recorrentes no desenvolvimento da escrita. O projeto piloto teve início em fevereiro de 2026, com um único paciente, expandindo-se gradualmente para atender outras crianças. Para ingressar na atividade, o critério principal é que o participante tenha, no mínimo, oito anos de idade e já possua um contato inicial com o ambiente escolar.
Metodologia baseada em interesses individuais
A fonoaudióloga Viviane Cardoso da Silva, idealizadora do projeto, explica que a estratégia consiste em integrar o universo de interesse da criança à prática terapêutica. Ao escrever sobre temas que dominam e apreciam, os pacientes deixam de encarar a escrita como uma obrigação escolar, passando a vê-la como uma ferramenta de expressão pessoal. O processo envolve pesquisa, seleção de conteúdo e a estruturação física do livro, incluindo elementos como índice e agradecimentos.
O trabalho abrange o desenvolvimento integral da linguagem, trabalhando aspectos da consciência fonológica, fonêmica e sintática. Segundo a especialista, ao compreender a relação entre o que se fala e o que se escreve, a criança desenvolve habilidades cognitivas essenciais para a organização de ideias. A técnica permite que o paciente associe fonemas a grafemas de forma natural, facilitando a construção de textos claros e coerentes, conforme detalhado no portal da Unimed Cuiabá.
Impacto no desenvolvimento e papel da família
Além da evolução técnica na escrita, o projeto promove ganhos significativos na autoestima e na percepção de valor das crianças. Ao verem suas produções impressas, os pacientes reconhecem-se como autores, o que gera um forte sentimento de pertencimento e realização. A reflexão sobre o próprio progresso, registrada nas conclusões dos livros, demonstra que os participantes ampliaram não apenas o vocabulário, mas também o gosto pela produção textual.
A participação dos familiares é considerada um pilar fundamental para o sucesso da intervenção. Viviane Cardoso da Silva ressalta que o ambiente doméstico atua como o principal modelo de leitura e escrita para a criança. Quando a família se engaja em experiências positivas com a linguagem, o desenvolvimento do paciente é potencializado. O lançamento do livro, portanto, simboliza a celebração de todo o esforço conjunto entre terapeutas, crianças e responsáveis ao longo dos meses de atividade.