A introdução do DDG na dieta bovina está transformando a dinâmica da pecuária brasileira, permitindo que produtores alcancem níveis de eficiência antes restritos a sistemas confinados. O coproduto do etanol de milho consolidou-se como um aliado estratégico, reduzindo a dependência exclusiva das pastagens e permitindo a intensificação da produção na mesma área ocupada pelo rebanho.
Essa mudança de paradigma é observada com maior clareza nas fases de recria e terminação intensiva a pasto. Ao fornecer a alimentação concentrada diretamente no cocho, o pecuarista consegue elevar significativamente a taxa de lotação por hectare, otimizando o uso da terra e aumentando a rentabilidade da propriedade rural.
DDG amplia possibilidades de intensificação produtiva
O diretor técnico da Acrimat, Francisco Manzi, destaca que o DDG exerce um efeito substitutivo fundamental na dieta animal. Em entrevista ao programa Direto ao Ponto, ele ressalta que a tecnologia permite multiplicar a capacidade de carga do pasto, onde anteriormente era possível manter apenas um animal, agora é viável sustentar múltiplos bovinos com o uso adequado do coproduto.
Além do ganho nutricional, a adoção do DDG promove uma economia operacional relevante. O produtor pode dispensar o uso de trituradores de milho, uma operação que demanda alto consumo de energia elétrica e manutenção constante. A expansão das usinas de etanol de milho em Mato Grosso garante a oferta constante desse insumo, fortalecendo a integração entre as cadeias produtivas.
Mudança de modelo na pecuária moderna
A pecuária atravessa uma fase de profissionalização intensa, deixando para trás o conceito de atividade de baixo risco ou mera reserva patrimonial. Segundo Francisco Manzi, o cenário atual não comporta mais o amadorismo, exigindo do produtor um controle rigoroso de custos e conhecimento técnico aprofundado para garantir a competitividade frente à agricultura.
Embora a pecuária possua ciclos produtivos mais longos do que as culturas de grãos, como soja e milho, a eficiência alcançada pela intensificação permite resultados financeiros robustos. A capacidade de transformar a propriedade em uma unidade de alta produtividade é o diferencial que separa os gestores preparados das práticas tradicionais de subsistência.
Desafios do crédito e o futuro da atividade
O acesso ao financiamento permanece como um dos principais desafios para a pecuária, devido ao longo ciclo de maturação do investimento. Enquanto a agricultura oferece retornos em prazos curtos, a pecuária exige um planejamento que pode se estender por até quatro anos, desde a reprodução até o abate final.
Apesar das barreiras, modelos de sucesso, como o observado no Vale do Paraíba, em São Paulo, demonstram que a integração entre agricultura e pecuária, aliada ao manejo intensivo, pode elevar drasticamente a produtividade, alcançando taxas de cinco vacas por hectare. Para o diretor da Acrimat, o setor está apenas no início de uma transformação tecnológica profunda que promete redefinir os patamares de produção nacional.