O mercado brasileiro de soja apresentou uma reação contida na última sessão, registrando uma leve recuperação nas cotações após os recuos observados no dia anterior. O cenário foi impulsionado por uma combinação de fatores externos, incluindo o desempenho positivo na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) e a variação cambial, embora o volume de transações tenha permanecido restrito.
Segundo o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, a melhora nos preços não foi suficiente para estimular um aumento significativo na oferta. O produtor rural mantém uma postura cautelosa, realizando negociações pontuais, conhecidas como operações da mão para a boca, sem demonstrar ímpeto para grandes fixações de volume, tanto na safra atual quanto na futura.
Dinâmica do mercado físico e preços internos
Apesar da retração vendedora, diversas praças brasileiras continuam apresentando indicações de preços favoráveis, sustentadas por um basis local positivo. O mercado interno reflete a cautela do setor produtivo, que prefere comercializar a produção de forma gradual, aguardando definições mais claras para ampliar a liquidez.
Nas principais regiões produtoras, os valores apresentaram variações distintas. Em Passo Fundo e Santa Rosa, no Rio Grande do Sul, as cotações subiram para R$ 142,50 e R$ 143,50, respectivamente. Já em Cascavel (PR), Rondonópolis (MT), Dourados (MS), Rio Verde (GO) e Paranaguá (PR), os preços mantiveram estabilidade, refletindo a calmaria nas negociações.
Influência das lavouras americanas em Chicago
Na Bolsa de Chicago, os contratos futuros de soja encerraram o dia em alta, revertendo a pressão vendedora observada durante o período da manhã. A mudança de direção foi motivada por sinais de demanda aquecida e pela atualização das condições das lavouras nos Estados Unidos, divulgada pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
Os dados do USDA indicaram que 63% das lavouras de soja estavam em condições boas ou excelentes até o dia 26 de julho, uma queda em relação aos 66% da semana anterior. Paralelamente, a parcela de lavouras em situação regular subiu para 28%, enquanto as classificações entre ruins e muito ruins atingiram 9%, fator que deu suporte aos preços futuros.
Desempenho dos contratos e cenário cambial
Os contratos com entrega em agosto fecharam a US$ 12,12 por bushel, uma alta de 0,28%. A posição para novembro também encerrou o dia valorizada, cotada a US$ 12,20 por bushel, com elevação de 0,51%. No setor de subprodutos, o farelo de soja acompanhou a tendência de alta, enquanto o óleo registrou desvalorização.
O mercado também monitorou o comportamento do dólar, que encerrou a sessão cotado a R$ 5,1215 para venda. A oscilação da moeda norte-americana, somada à queda nos preços do petróleo — influenciada pela expectativa de resolução de conflitos no Oriente Médio —, compôs o cenário de incertezas que limitou a agressividade dos prêmios nos portos brasileiros.