A Federação PSDB/Cidadania oficializou, nesta sexta-feira (7), a decisão de adotar neutralidade nas eleições para o governo de Pernambuco. A medida ocorre após uma intervenção direta do diretório nacional da federação, que anulou a convenção estadual realizada anteriormente, a qual havia firmado apoio à candidatura de reeleição da governadora Raquel Lyra (PSD).
O movimento foi desencadeado por um impasse interno entre as legendas que compõem a federação. Enquanto o PSDB local mantinha o alinhamento com a atual gestão, a direção nacional do Cidadania manifestou preferência pela candidatura do ex-prefeito do Recife, João Campos (PSB). A divergência culminou na anulação da ata enviada ao Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE), alterando o cenário das alianças majoritárias no estado.
Intervenção nacional e impasses partidários
A decisão de neutralidade foi comunicada por meio de uma nota assinada pelo presidente da federação, o deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG). O documento justifica a mudança como uma resposta necessária diante das divergências inconciliáveis entre os diretórios estaduais, que possuíam visões distintas sobre o palanque que deveriam ocupar no pleito pernambucano.
A comissão interventora, composta por lideranças nacionais, optou pelo distanciamento da disputa majoritária para evitar um racha mais profundo. Enquanto o presidente estadual do PSDB, Rubens Júnior, evitou comentar o caso, o presidente do Cidadania em Pernambuco, João Freire, classificou a intervenção como uma violência política e jurídica, indicando que o diretório regional ainda avalia medidas a serem tomadas.
Impactos na coligação e no tempo de TV
Com a saída formal da federação, a coligação de Raquel Lyra, denominada “Pernambuco de Coração”, passa a contar com o apoio de seis legendas: PSD, Podemos, Avante, Novo e a Federação União Progressista, composta por União Brasil e PP. A perda do tempo de propaganda eleitoral gratuita, no entanto, é um dos pontos de maior atenção para a estratégia da campanha.
O tempo de rádio e televisão é calculado com base na representação parlamentar dos partidos na Câmara dos Deputados. Atualmente, a Frente Popular de Pernambuco, liderada por João Campos, detém uma vantagem numérica expressiva, com o apoio de partidos que somam 206 deputados federais eleitos em 2022, enquanto a coligação da governadora contabiliza 173 parlamentares.
Calendário eleitoral e definições finais
O cenário político em Pernambuco permanece dinâmico até o dia 15 de agosto, data limite para que as agremiações partidárias finalizem eventuais trocas ou ajustes nas coligações. Após este prazo, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) consolidará os dados para a definição oficial do tempo de exposição de cada candidato no guia eleitoral.
Além de Raquel Lyra e João Campos, o candidato Ivan Moraes (PSOL) também figura entre os nomes que possuem tempo garantido na propaganda gratuita. O TRE-PE deverá publicar, nos próximos dias, o cronograma definitivo que orientará a distribuição das inserções diárias, momento em que o impacto real da ausência da Federação PSDB/Cidadania no tempo de TV será mensurado com precisão.