Pressão social e soberania nacional travam projeto de Milei
O governo de Javier Milei enfrentou um revés significativo no Senado argentino ao ser forçado a retirar de pauta o projeto que ampliava a venda de terras para estrangeiros. A proposta, que visava elevar o limite de posse de estrangeiros de 15% para 25% por província, encontrou resistência em uma frente ampla que uniu governadores, artistas e setores da sociedade civil.
A mobilização ganhou força após o uso de uma faixa com a frase “as Malvinas são argentinas” pela seleção nacional de futebol durante a Copa do Mundo. O símbolo, que remete à histórica disputa territorial com o Reino Unido na década de 1980, funcionou como um catalisador emocional, transformando a discussão sobre a propriedade da terra em um debate sobre a soberania nacional.
A força da mobilização transversal na Argentina
O movimento contra a chamada “estrangeirização das terras” transcendeu as divisões partidárias tradicionais. Figuras públicas de grande alcance, como a cantora Lali Espósito e o zagueiro Lisandro Martinez, utilizaram suas plataformas para endossar os protestos, gerando um custo político elevado para a base governista no Congresso.
Segundo o cientista político Leandro Gabiati, a articulação dos governadores provinciais foi decisiva para o recuo do Executivo. Ao sentirem que a medida poderia comprometer o controle sobre seus territórios, os gestores locais pressionaram os senadores de suas respectivas bases, inviabilizando o apoio necessário para a aprovação da matéria no Senado.
Controvérsias sobre áreas protegidas e propriedade privada
Embora tenha recuado sobre a venda de terras para estrangeiros, o governo de Javier Milei manteve a tramitação de outro projeto polêmico: a permissão para a venda de áreas protegidas atingidas por incêndios florestais. A medida integra o pacote legislativo denominado Lei de Inviolabilidade da Propriedade Privada, que busca flexibilizar normas de uso de solo.
Críticos da proposta, como o professor de agronomia Hernán Hougassian, alertam que a mudança pode incentivar o uso de incêndios criminosos para fins de especulação imobiliária. Atualmente, a legislação argentina proíbe a venda de áreas afetadas pelo fogo por um período de 30 anos, uma norma que o governo atual considera excessiva e contrária ao direito de propriedade.
Para mais detalhes sobre o cenário político na região, consulte a cobertura da Agência Brasil.