Justiça autoriza continuidade da demarcação da Terra Indígena Kayabi

Justiça autoriza continuidade da demarcação da Terra Indígena Kayabi

O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) decidiu manter o andamento do processo de demarcação da Terra Indígena Kayabi, uma vasta área de aproximadamente 1,1 milhão de hectares situada na divisa entre Mato Grosso e Pará. A decisão, proferida pela 6ª Turma do tribunal, rejeitou por unanimidade um pedido de suspensão apresentado por proprietários rurais de Alta Floresta, permitindo que a União e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) sigam com os trâmites legais.

O processo de demarcação segue as diretrizes estabelecidas pela Portaria nº 1.149/2002, do Ministério da Justiça. Com a revogação da liminar que impedia o avanço dos trabalhos, o Ministério Público Federal (MPF) reforçou que a medida é essencial para garantir os direitos territoriais dos povos originários, conforme assegurado pela Constituição Federal.

Fundamentação jurídica sobre a ocupação tradicional

Um dos pontos centrais da disputa judicial envolve a validade de títulos de propriedade emitidos pelo poder público na região. O MPF sustentou que a existência desses documentos, mesmo quando anteriores à Constituição de 1988, não invalida o direito dos povos indígenas sobre terras tradicionalmente ocupadas. Segundo o órgão, o direito indígena é considerado originário, o que torna a demarcação um ato de natureza declaratória, reconhecendo um direito preexistente em vez de criar uma nova concessão territorial.

Diferenciação entre nova demarcação e ampliação

A área em questão é significativamente maior do que a demarcação inicial realizada em 1982, que contava com cerca de 117 mil hectares. O MPF argumentou que o procedimento atual não deve ser classificado como uma simples ampliação — o que enfrentaria restrições conforme precedentes do Supremo Tribunal Federal (STF) —, mas sim como uma nova demarcação. Estudos antropológicos indicam que a delimitação de 1982 não utilizou os critérios constitucionais vigentes e não contemplou a totalidade da área tradicionalmente ocupada pelo povo Kayabi.

Contexto de deslocamento e expansão agropecuária

A defesa dos proprietários rurais questionou a ocupação indígena no território durante a promulgação da Constituição de 1988. Em resposta, o MPF apresentou registros antropológicos que comprovam o deslocamento forçado do povo Kayabi devido ao avanço de frentes agropecuárias na região. O tribunal entendeu que a ausência física dos indígenas em determinados períodos, provocada por pressões externas, não descaracteriza a ocupação tradicional.

A continuidade do processo busca mitigar a insegurança territorial enfrentada pela comunidade. O MPF ressaltou que eventuais prejuízos decorrentes do reconhecimento da terra indígena deverão ser tratados conforme os ritos previstos na legislação brasileira, garantindo que o procedimento siga seu curso sem novas interrupções judiciais.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

China investe em tecnologia e genética para maximizar produção de soja em solo limitado
Pedro Silvestre / Canal Rural Mato Grosso
China aposta em genética e manejo de solo negro para elevar produtividade de soja e reduzir dependência externa sem expandir…
setembro 4, 2026
Candidatos à presidência realizam caminhadas, sabatinas e encontros com empresários nesta sexta-feira (4) em diversas regiões do Brasil….
setembro 4, 2026
Candidatos ao Senado por Mato Grosso debatem propostas em evento do g1
Candidatos ao Senado por Mato Grosso apresentam suas propostas e debatem o futuro do estado em evento promovido pelo g1….
setembro 4, 2026
Luisa Stefani estreia com vitória dominante no US Open e avança em Nova York
© Jimmie 48 Photography/WTA/Direitos Reservados
Luisa Stefani e Gabriela Dabrowski vencem na estreia do US Open e avançam na competição. Confira o desempenho das duplas…
setembro 3, 2026
Caixa libera modalidade de PIX parcelado para clientes pessoa física
© Marcelo Camargo/Agência Brasil
Caixa libera parcelamento de Pix para clientes pessoa física com prazos de até 12 meses e limites de crédito de…
setembro 3, 2026
Fifa busca seis mil voluntários para atuar na Copa do Mundo Feminina de 2027 no Brasil
© Thais Magalhães/CBF/Direitos Reservados
A Fifa abriu seis mil vagas de voluntários para a Copa do Mundo Feminina 2027 no Brasil. Saiba como se…
setembro 3, 2026