A angústia gerada pelo resultado do primeiro turno das eleições mobilizou centenas de estudantes e moradores nas ruas de Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Organizada em tempo recorde por centros acadêmicos e associações atléticas da Universidade Federal Fluminense (UFF), a passeata noturna transformou o espanto inicial em uma demonstração pública de reação política.
O ato surgiu como resposta direta à vantagem obtida nas urnas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) sobre o presidente Luiz Inácio Lula, cenário que gerou forte apreensão entre a comunidade acadêmica quanto ao futuro das instituições federais de ensino superior e à manutenção de direitos constitucionais.
Articulação rápida e adesão popular
A mobilização começou a ser desenhada na noite de domingo, logo após a divulgação dos primeiros números da apuração eleitoral. O que inicialmente seria um encontro interno entre alunos e professores rapidamente ganhou proporções maiores através das redes sociais, atraindo transeuntes e moradores locais para uma caminhada que percorreu importantes vias da cidade.
Os manifestantes carregavam o estandarte do Direito Antifascista e cartazes com palavras de ordem, passando pela reitoria da instituição no bairro de Icaraí e retornando à Faculdade de Direito, situada no Ingá. A adesão espontânea evidenciou o engajamento da sociedade civil na defesa da educação pública.
Defesa da universidade pública e memória histórica
Para os organizadores do protesto, o avanço do grupo opositor representava uma ameaça real de estrangulamento financeiro e de transferência de tutela para pastas com menor orçamento. Os estudantes resgataram na memória os episódios de contingenciamento de verbas e ataques verbais sofridos pelas universidades federais durante gestões anteriores.
Além da preocupação orçamentária, os discursos durante a passeata ressaltaram a rejeição a propostas de anistia e a defesa da democracia. Os participantes evocaram o histórico de resistência da própria instituição, lembrando ex-alunos perseguidos durante a ditadura militar e reafirmando o papel político e social do ambiente universitário na defesa da Constituição.