Cotação da moeda americana encerra a semana a R$ 5,44 e atinge pico não visto desde 2008

Cotação da moeda americana encerra a semana a R$ 5,44 e atinge pico não visto desde 2008

O mercado financeiro brasileiro encerrou o mês sob forte volatilidade, impulsionado pela disparada do dólar e por quedas acentuadas na bolsa de valores. A moeda estadunidense registrou forte avanço nas negociações, acumulando o maior salto semanal desde o período da crise financeira internacional de 2008. Enquanto isso, o principal índice da bolsa brasileira sofreu sua pior retração em vários anos, refletindo um ambiente de cautela tanto no cenário doméstico quanto no ambiente externo.

A dinâmica dos ativos locais foi fortemente influenciada por ajustes de portfólio após o pleito presidencial e pelas incertezas em torno da política fiscal brasileira. Investidores mantiveram o foco na definição da equipe econômica e no anúncio de medidas para as contas públicas. Paralelamente, o mercado buscou proteção cambial antes do feriado prolongado, elevando ainda mais a cotação da moeda estrangeira.

Repercussão no câmbio e disparada da moeda

O dólar comercial encerrou cotado a R$ 5,446, após registrar oscilações expressivas ao longo da sessão de negócios. No acumulado da semana posterior ao segundo turno das eleições, a moeda norte-americana subiu 9,15%, configurando o maior ganho semanal desde o mês de outubro de 2008. No horizonte mensal, o avanço fechou em alta, elevando o ganho acumulado no ano.

A volatilidade na primeira metade do pregão também esteve associada à formação da Ptax de fim de mês, taxa apurada pelo Banco Central para liquidação de contratos futuros. A pressão sobre o real ocorreu em meio à reprecificação de riscos por parte dos agentes financeiros, que repercutiram os rumos fiscais do país e a aversão ao risco no exterior.

Desempenho negativo da bolsa de valores

O Ibovespa fechou o pregão aos 167.921,80 pontos, acumulando cinco sessões consecutivas de baixa. Na variação semanal, o indicador recuou 18,12%, pior patamar desde março de 2020, período marcado pelos reflexos iniciais da pandemia de covid-19. No fechamento mensal, a desvalorização atingiu 9,88%.

A forte retração das ações ganhou ímpeto após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, cujo resultado gerou a ativação do mecanismo de interrupção de negociações no primeiro pregão da semana. A fuga de capital estrangeiro corroborou para o cenário adverso, com retiradas expressivas de recursos do mercado secundário de ações.

Fatores externos e turbulência global

O cenário interno desfavorável somou-se a um ambiente macroeconômico externo de forte aversão ao risco. Investidores globais demonstraram cautela com a performance de grandes companhias de tecnologia nos Estados Unidos e com as incertezas ligadas aos investimentos em inteligência artificial.

Em Nova York, índices acionários registraram perdas expressivas, acompanhados por pressões inflacionárias e expectativas em torno das taxas de juros globais. Para mais detalhes sobre a cobertura econômica da Agência Brasil, o mercado seguiu monitorando os desdobramentos internacionais e locais.

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