A influenciadora digital Kamila Gonçalves Vieira, amplamente conhecida nas redes sociais como “Rapunzel Cuiabana”, foi detida nesta segunda-feira (3) em Primavera do Leste, Mato Grosso. A prisão ocorreu durante a Operação Fallacia, deflagrada pela Polícia Civil para investigar denúncias de estelionato envolvendo a suspeita, que utilizava uma falsa identidade de advogada para atrair e enganar suas vítimas.
Modus operandi e o desvio de pensão alimentícia
Segundo as investigações conduzidas pelo delegado Honório Delta, a suspeita abordava pessoas em processos de divórcio, oferecendo assessoria jurídica inexistente. Em um dos casos apurados, a vítima foi induzida a acreditar que, devido a uma suposta medida protetiva, não poderia manter contato com a ex-companheira. Sob esse pretexto, a influenciadora convenceu o homem a realizar depósitos mensais de pensão alimentícia diretamente em sua conta bancária, prometendo repassar os valores à ex-esposa.
O esquema foi descoberto após a vítima contratar um advogado real, que constatou a ausência de registro da suspeita na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Ao contatar a ex-companheira, o homem descobriu que ela nunca recebeu os valores, que totalizaram cerca de R$ 30 mil ao longo de cinco meses. A prática, segundo a Polícia Civil de Mato Grosso, era recorrente e fundamentada na manipulação da confiança das vítimas.
Uso de documentos falsos e apropriação de bens
Além do desvio financeiro, a investigação aponta que a suspeita utilizava documentos falsificados para intimidar a vítima, chegando a simular a existência de mandados de prisão expedidos por oficiais de Justiça. O objetivo era manter o fluxo de pagamentos sob ameaça constante. A influenciadora também convenceu o homem a entregar uma caminhonete, alegando que o veículo precisava ser incluído em um contrato de locação para evitar perdas na divisão de bens.
O veículo não foi devolvido após o prazo estipulado e acabou sendo apreendido pelas autoridades durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão. Na residência da investigada, os policiais localizaram diversos itens, incluindo cartões bancários e documentos de terceiros, que reforçam a tese de reincidência criminosa.
Histórico criminal e medidas judiciais
A prisão preventiva de Kamila Gonçalves Vieira foi decretada devido ao seu extenso histórico de atividades ilícitas. O delegado Honório Delta ressaltou que a suspeita é multirreincidente em estelionato, com diversos boletins de ocorrência registrados desde 2022. A medida visa garantir a ordem pública e impedir que novos golpes sejam aplicados pela investigada, que possui mais de 40 mil seguidores em suas plataformas digitais.
Este não é o primeiro envolvimento da influenciadora com as autoridades. Em 2021, ela foi detida sob a suspeita de alugar imóveis mobiliados e subtrair bens de valor, como eletrodomésticos, joias e objetos de decoração. Naquela ocasião, as vítimas relataram ameaças ao tentarem reaver seus pertences, consolidando um padrão de comportamento que agora é alvo da Operação Fallacia.