O elefante Sandro, de 54 anos, protagonizou um momento marcante em sua jornada de adaptação ao Santuário de Elefantes Brasil, localizado em Chapada dos Guimarães, Mato Grosso. Pela primeira vez desde sua chegada ao novo habitat, o animal foi registrado entrando em uma lagoa para se refrescar. O episódio, ocorrido no domingo (27), evidenciou tanto a busca do mamífero por comportamentos naturais quanto as limitações físicas que ele ainda enfrenta após décadas de cativeiro.
Desafios de mobilidade e adaptação no santuário
As imagens captadas pela equipe do santuário mostram Sandro coberto de lama, um comportamento típico da espécie para proteção da pele e regulação térmica. No entanto, a movimentação do animal ao tentar sair da água chamou a atenção dos especialistas. Diferente de outros elefantes que já passaram pelo local, Sandro demonstrou um esforço incomum para subir a rampa de acesso, que possui uma inclinação considerada suave.
Apesar da dificuldade motora, os tratadores avaliam que o contato com a água é benéfico para o processo de reabilitação. A movimentação na lagoa permite que o elefante exercite sua musculatura com menor impacto sobre as articulações. Além disso, a água auxilia no amolecimento dos pés, preparando a estrutura física do animal para os cuidados veterinários que serão realizados periodicamente.
Dieta reforçada e recuperação física
Desde que chegou ao Mato Grosso, vindo de Sorocaba, interior de São Paulo, Sandro tem passado por um monitoramento rigoroso. O animal apresenta um quadro de peso abaixo do ideal e musculatura debilitada, sequelas de um longo período vivendo em ambientes restritos. Para reverter esse cenário, a equipe técnica implementou uma dieta reforçada, que será ajustada conforme a evolução clínica e a avaliação detalhada de sua saúde bucal.
A transferência do elefante, que percorreu cerca de 1,6 mil quilômetros em uma operação logística complexa, marcou um ponto de virada em sua história. Como o primeiro macho a habitar o santuário, Sandro vive em um recinto separado das seis fêmeas presentes no local. O manejo permite a comunicação sonora e olfativa entre eles, estimulando comportamentos naturais sem a necessidade de contato físico direto, respeitando o tempo de adaptação de cada indivíduo.
Histórico e transição para a vida em liberdade
A trajetória de Sandro é marcada por décadas de cativeiro, tendo passado por circos e pelo Parque Zoológico Municipal Quinzinho de Barros, onde viveu por anos ao lado da elefanta Haisa. Após a perda de sua companheira, o elefante permaneceu sozinho, o que torna sua integração ao ambiente de semiliberdade no Mato Grosso um processo delicado e gradual.
A equipe do Santuário de Elefantes Brasil mantém um acompanhamento constante, observando desde a interação com o novo terreno até a resposta à dieta especial. O objetivo é proporcionar ao animal a autonomia necessária para explorar a vasta área de vegetação, permitindo que ele desenvolva comportamentos que foram suprimidos ao longo de sua vida em zoológicos e circos.