Um registro raro da vida selvagem chamou a atenção em uma propriedade rural nas proximidades de Cáceres, a 220 km de Cuiabá, no Mato Grosso. Na última terça-feira (8), o trabalhador Luís Felipe Monteiro César, de 25 anos, flagrou um comportamento peculiar de três serpentes da espécie caninana, que formavam o chamado “bolo nupcial” em meio à vegetação.
Dinâmica do comportamento reprodutivo das serpentes
Nas imagens capturadas, é possível observar o momento em que dois machos iniciam uma disputa física, entrelaçando seus corpos em um movimento que remete a uma dança ou luta de dominância. Enquanto os competidores demonstram força, a fêmea permanece no centro da interação, dando continuidade ao processo de acasalamento com um dos parceiros.
Segundo o biólogo Luiz Eduardo Saragiotto, o fenômeno é parte integrante da estratégia reprodutiva da espécie. A presença de múltiplos machos ao redor de uma única fêmea em período fértil é comum, e a fêmea pode, inclusive, acasalar com mais de um indivíduo durante o ciclo, que pode se estender por horas ou até dias.
Características e importância ecológica da caninana
A Spilotes pullatus, popularmente conhecida como caninana, é uma das maiores serpentes encontradas no território brasileiro, podendo exceder 2,5 metros de comprimento. Embora apresente uma postura defensiva intimidadora — que inclui o achatamento do pescoço e a elevação da cabeça quando se sente ameaçada —, a espécie não é peçonhenta e não oferece risco direto aos seres humanos.
A caninana possui uma ampla distribuição geográfica, habitando quase todos os biomas do Brasil, com exceção dos Pampas. Sua dieta é diversificada, composta por pequenos mamíferos, aves, anfíbios e até outras serpentes, incluindo exemplares venenosos. Esse hábito alimentar confere à espécie um papel fundamental no controle populacional de diversos animais, auxiliando na manutenção do equilíbrio dos ecossistemas onde está inserida.
Para mais informações sobre a fauna brasileira, consulte o portal do ICMBio.