O réu Carlos Alberto Gomes Bezerra prestou depoimento ao Tribunal do Júri em Cuiabá, nesta sexta-feira (31), apresentando sua versão sobre o assassinato de sua ex-namorada, Thays Machado, e do atual companheiro dela, Willian César Moreno. O crime, que chocou a capital mato-grossense, ocorreu em janeiro de 2023. Desde a data do ocorrido, o acusado permanece sob custódia do Estado.
A versão do réu sobre o momento dos disparos
Durante a sessão, Carlos Alberto Bezerra afirmou que o confronto foi motivado por uma provocação direta. Segundo o relato do acusado, ele encontrou o casal enquanto se dirigia a um shopping e decidiu abordar Thays Machado para questioná-la sobre o fim do relacionamento. O réu sustenta que, durante a discussão, Willian César Moreno teria se aproximado e proferido a frase: “corno babaca, vaza”.
O acusado alegou que, após ouvir a ofensa, sacou a arma e efetuou os disparos. Em sua fala, Bezerra classificou o episódio como uma “tragédia” e afirmou que, se a vítima tivesse recuado por apenas “dois segundos”, o desfecho fatal poderia ter sido evitado. Ao encerrar o depoimento, o réu atribuiu a sequência de eventos a circunstâncias que, em sua visão, possuem um significado espiritual.
Contexto jurídico e acusações do Ministério Público
O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) sustenta que o crime foi motivado por torpeza e contexto de violência de gênero. Para a acusação, Thays Machado foi vítima de feminicídio, enquanto o homicídio de Willian César Moreno foi agravado por meio cruel e pela utilização de recurso que impossibilitou a defesa da vítima. O uso de uma pistola semiautomática em via pública reforça a gravidade apontada pelos promotores.
O processo enfrentou diversos entraves antes de chegar à fase atual. A defesa do réu tentou, por diversas vezes, adiar o julgamento, alegando falta de acesso a documentos e solicitando um incidente de insanidade mental. O pedido de avaliação psiquiátrica foi fundamentado por especialistas, como o psiquiatra forense Hewdy Lobo Ribeiro, que identificou a hipótese de transtorno delirante persistente, popularmente associado ao ciúme mórbido.
Histórico de suspensões e andamento do júri
A sessão do Tribunal do Júri foi marcada por instabilidades. Anteriormente, o julgamento chegou a ser suspenso após os advogados de defesa abandonarem o plenário, alegando que não tiveram acesso integral aos autos e apontando uma suposta quebra na cadeia de custódia das provas. Após a remarcação, novas tentativas de adiamento foram protocoladas pela defesa, mas todas foram negadas pela Justiça.
O caso, que envolve o filho do ex-deputado federal Carlos Bezerra, segue sob acompanhamento rigoroso do Judiciário. Informações adicionais sobre o andamento do processo podem ser consultadas através de fontes oficiais como o Ministério Público de Mato Grosso, que atua na acusação do réu confesso.