O início do mês de agosto consolida um cenário de extremos meteorológicos no Brasil. Enquanto a porção meridional do território se organiza para enfrentar uma sequência de temporais severos, a maior parte das regiões Centro-Oeste, Sudeste, Norte e Nordeste lida com um período prolongado de estiagem, caracterizado por índices críticos de umidade relativa do ar.
Avanço de frente fria e ciclone no Sul
A instabilidade atmosférica é impulsionada pela chegada de uma frente fria associada a um ciclone, que impacta diretamente o Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul a partir deste sábado (1º). O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu um aviso laranja, classificado como de perigo, devido à previsão de tempestades e vendavais.
No Rio Grande do Sul, a expectativa é de chuvas intensas acompanhadas de trovoadas e queda de granizo. As rajadas de vento podem superar a marca de 90 km/h, com acumulados de precipitação que, em pontos específicos do estado, podem atingir a casa dos 200 mm. A instabilidade deve persistir durante o domingo (2) e a segunda-feira (3), mantendo o alerta para o centro-sul gaúcho, Santa Catarina e o oeste paranaense.
Alerta para baixa umidade e tempo seco
Em contraste, o restante do país enfrenta um bloqueio atmosférico que mantém o tempo firme e a umidade em níveis preocupantes. No Centro-Oeste, o aviso laranja de perigo vigora para Goiás, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, onde a umidade pode ficar abaixo dos 20%. Capitais como Goiânia, Campo Grande e Cuiabá estão sob monitoramento constante, assim como o Distrito Federal, que permanece em alerta amarelo.
No Sudeste, a secura atinge grande parte de Minas Gerais e o interior de São Paulo. Apesar da baixa umidade, o período é marcado por madrugadas frias, com risco de formação de geada nas regiões serranas do sul mineiro e na divisa paulista. No Norte e Nordeste, o cenário de ar seco predomina em estados como Tocantins, sudeste do Pará, oeste da Bahia, além do sul do Maranhão e do Piauí.
Variações térmicas e recomendações de segurança
As disparidades climáticas refletem-se nos termômetros. As temperaturas mínimas registradas variam de 9 °C em Curitiba a 19 °C em Palmas. No extremo oposto, as máximas podem atingir 37 °C em Cuiabá e 36 °C em Teresina, intensificando o desconforto térmico nas áreas afetadas pela seca.
Autoridades recomendam que a população nas regiões sob estiagem reforce a hidratação e evite a prática de exercícios físicos ao ar livre durante os períodos de maior calor. Já no Sul, a orientação é manter vigilância constante aos comunicados da Defesa Civil e buscar abrigo seguro, evitando áreas abertas ou expostas a ventos fortes durante a passagem das tempestades.