Justiça retira patente de ex-capitão investigado por morte de aluno em MT após nona licença médica

Justiça retira patente de ex-capitão investigado por morte de aluno em MT após nona licença médica

O ex-capitão do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT), Daniel Alves de Moura e Silva, teve sua nona licença para tratamento de saúde concedida desde maio de 2024. O afastamento, publicado no Diário Oficial do Estado na terça-feira (4), ocorre em um momento de desdobramentos jurídicos significativos sobre a conduta do oficial durante um treinamento que resultou em óbito.

Afastamentos sucessivos e situação funcional

A concessão da nova licença médica foi formalizada pelo comando-geral da corporação, baseando-se na Lei Complementar nº 541/2014. Desde o início do primeiro afastamento, em 10 de maio de 2024, o ex-oficial acumula nove períodos de licença, mantendo-se afastado de suas funções habituais enquanto tramitam os processos administrativos e judiciais relacionados ao caso.

Decisão judicial sobre a perda de patente

O cenário jurídico para o ex-capitão agravou-se em julho, quando o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) rejeitou um recurso apresentado pela defesa. A decisão da vice-presidente do TJMT, desembargadora Nilza Maria Pôssas de Carvalho, manteve a determinação de perda do posto e da patente militar, punição direta decorrente da conduta apresentada durante a instrução que vitimou o aluno Lucas Veloso Peres.

A defesa do ex-militar tentou argumentar violações a garantias constitucionais, incluindo o devido processo legal e o contraditório, buscando levar o caso ao Supremo Tribunal Federal (STF). Contudo, o recurso não foi admitido na instância estadual, consolidando a manutenção da penalidade imposta ao ex-oficial.

O caso Lucas Veloso Peres e as investigações

O incidente ocorreu em 27 de fevereiro de 2024, na Lagoa Trevisan, em Cuiabá. Lucas Veloso Peres, natural de Goiás, participava de um treinamento de salvamento aquático quando veio a falecer. O exame de necropsia confirmou o afogamento como causa da morte, gerando uma onda de questionamentos sobre os métodos de instrução aplicados na época.

Embora relatos iniciais da Polícia Civil indicassem que o aluno teria passado mal, evidências posteriores, incluindo conversas de WhatsApp entre outros alunos, sugeriram a ocorrência de uma prática forçada de submersão, conhecida popularmente como “caldo”. O caso provocou mudanças administrativas no estado, levando o governo de Mato Grosso a instituir, via decreto, a obrigatoriedade de gravação audiovisual de todos os treinamentos realizados pelo Corpo de Bombeiros e pela Polícia Militar, conforme reportado pelo g1.

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