O mercado físico do boi gordo iniciou a quarta-feira (22) com um cenário de valorização, apresentando negociações que superam as referências médias observadas anteriormente. A tendência de alta é impulsionada, fundamentalmente, pela dificuldade na composição das escalas de abate, um reflexo direto da restrição de oferta de animais prontos para o mercado.
Dinâmica de oferta e pressão nas escalas de abate
Segundo o analista da consultoria Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, o ambiente de negócios permanece pautado pela escassez de gado. Esse desequilíbrio entre a oferta disponível e a necessidade das indústrias tem sido o principal vetor de sustentação dos preços nas últimas semanas, mesmo diante de um cenário de demanda interna fragilizada.
O especialista aponta que o ritmo de embarques para o mercado externo também apresenta sinais de arrefecimento. O esgotamento precoce da cota chinesa tem contribuído para essa desaceleração nas exportações, alterando a dinâmica de escoamento da produção nacional.
Impactos no setor frigorífico e atacado
Apesar da alta na arroba, o mercado interno de carne bovina no atacado mantém um padrão de preços mais acomodado. Essa disparidade entre o custo da matéria-prima e o valor final do produto pressiona as margens operacionais da indústria frigorífica, levando algumas unidades a adotar medidas drásticas, como a concessão de férias coletivas durante esta semana.
No atacado, o cenário indica pouco espaço para novos reajustes, especialmente considerando que a segunda quinzena do mês é historicamente marcada por uma redução no poder de compra e no consumo. A carne bovina enfrenta ainda o desafio da competitividade, apresentando preços menos atrativos quando comparada a proteínas concorrentes, como a carne de frango.
Cotações e oscilações cambiais
Os preços da arroba variaram conforme a praça produtora nesta quarta-feira. Em São Paulo, o valor atingiu R$ 343, enquanto em Goiás a cotação ficou em R$ 321,79. Já em Minas Gerais, o preço foi de R$ 319,41, no Mato Grosso do Sul alcançou R$ 331,93 e no Mato Grosso registrou R$ 321,62.
No mercado atacadista, os valores foram fixados em R$ 19,00 por quilo para o quarto dianteiro, R$ 25,50 para o quarto traseiro e R$ 18,00 para a ponta de agulha. Paralelamente, o dólar comercial encerrou o dia com queda de 0,41%, cotado a R$ 5,0521 para venda, após oscilar entre a mínima de R$ 5,0501 e a máxima de R$ 5,0841. Para mais detalhes sobre o setor, acompanhe as atualizações em Canal Rural.