A cidade de Campina Grande, localizada no Agreste da Paraíba, ganhou um novo espaço dedicado à difusão do pensamento e da produção literária de mulheres negras. A inauguração da biblioteca temática ocorreu na última quinta-feira (23), consolidando-se como um marco cultural para a região ao disponibilizar mais de 100 obras de referência para o debate sobre raça e gênero.
Acervo especializado em literatura negra feminina
O espaço, denominado TEIA (Território de Escrevivências, Identidades e Ancestralidades), nasceu a partir de uma doação significativa realizada pela professora e jornalista Carla Borba. A iniciativa celebra os 30 anos de sua formação acadêmica na Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), transformando um acervo pessoal em um patrimônio coletivo acessível à comunidade.
As obras foram entregues à Associação Rede de Conexões para Cidadania (ARCCID) e estão organizadas estrategicamente em duas categorias principais: produção teórica e pensamento crítico. Essa curadoria visa facilitar o acesso de pesquisadores e leitores interessados em aprofundar conhecimentos sobre trajetórias e vivências de mulheres negras no Brasil e no mundo.
Conexão entre autoras nacionais e internacionais
O catálogo da biblioteca é composto por uma seleção diversificada de escritoras que moldaram o debate intelectual contemporâneo. Entre as autoras nacionais, destacam-se nomes fundamentais como Conceição Evaristo, Djamila Ribeiro, Ana Maria Gonçalves, Eliana Alves Cruz e Carolina Maria de Jesus.
O acervo também contempla vozes internacionais de grande impacto, incluindo obras de Maya Angelou, Chimamanda Ngozi Adichie e Toni Morrison. Segundo a idealizadora, a circulação desses livros é essencial para que as ideias continuem gerando novas conexões e reflexões críticas entre os leitores, mantendo viva a potência dessas narrativas.
Impacto cultural e acesso ao público
A inauguração do espaço integra a programação do Julho das Pretas, um movimento que mobiliza o debate intelectual e político em torno da produção de escritoras e pensadoras negras. A iniciativa busca fomentar o diálogo sobre temas como educação, cultura, raça e gênero, promovendo um espaço de troca entre professores, pesquisadores e a sociedade civil.
O local estará aberto ao público a partir da primeira semana de agosto. Os interessados podem visitar a biblioteca na Rua Grisbert de Oliveira Gonzaga, situada no bairro do Velame, em Campina Grande, com funcionamento das 14h às 18h. Para mais informações sobre o projeto, acesse o portal g1 Paraíba.