A queda de uma aeronave em uma propriedade rural de Água Boa, no Mato Grosso, na última quinta-feira (10), revelou um passado conturbado envolvendo o veículo. O avião, que resultou na morte de três ocupantes após colidir contra o solo e ser consumido pelo fogo, já havia sido alvo de uma operação da Polícia Federal (PF) em Goiânia, há nove anos, por suspeita de envolvimento com o tráfico internacional de entorpecentes.
Histórico de apreensão e tráfico de drogas
Em 2017, a aeronave foi apreendida em um hangar situado às margens da GO-070, na capital goiana. Na ocasião, a Polícia Federal deflagrou uma investigação após receber denúncias anônimas, culminando na prisão de dois irmãos gêmeos de nacionalidade espanhola. Durante a vistoria técnica, os agentes localizaram mais de 60 kg de cocaína ocultos em compartimentos estruturais do avião, incluindo o assoalho e o interior das asas.
Na época da apreensão, os suspeitos negaram a propriedade da carga ilícita, alegando desconhecimento sobre a presença da droga. O caso seguiu para a esfera judicial, onde a aeronave permaneceu retida por anos como parte do processo de investigação. Segundo informações obtidas pelo g1, o bem chegou a ser ofertado em leilões eletrônicos em 2020 e 2023, sendo avaliado em R$ 180 mil, mas a situação legal do aparelho permaneceu complexa até sua recente movimentação.
Decolagem irregular e condições de voo
As investigações conduzidas pela Polícia Civil de Mato Grosso indicam que o avião teria sido adquirido por um novo proprietário há aproximadamente quatro meses. Na manhã de quinta-feira, a aeronave decolou de Goiânia sem a devida autorização dos órgãos competentes e sem o registro de um plano de voo, partindo em direção desconhecida antes de cair em uma fazenda a cerca de 20 km da área urbana de Água Boa.
A Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) apontou que, devido à concentração dos destroços em um único ponto, o avião provavelmente colidiu de forma vertical contra o solo. Não foram identificados sinais de tentativa de pouso forçado. Além disso, especialistas em aviação destacaram que a aeronave apresentava uma matrícula brasileira que não correspondia a um registro oficial, levantando suspeitas sobre a legalidade da operação e a real condição de aeronavegabilidade do veículo.
Investigações em curso
Atualmente, as autoridades trabalham para identificar as três vítimas fatais do acidente. Embora o avião possua um histórico criminal relevante, a Polícia Civil ressaltou que, até o momento, não foram encontrados indícios de que o grupo estivesse transportando entorpecentes no momento da queda. O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) foi acionado para colaborar com a apuração das causas técnicas que levaram ao desastre.