CNDH contesta Programa Tolerância Zero e aponta violações contra ambulantes no Rio

CNDH contesta Programa Tolerância Zero e aponta violações contra ambulantes no Rio

O Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH) manifestou, nesta sexta-feira (24), profunda preocupação com a implementação do Programa Tolerância Zero, conduzido pela Prefeitura do Rio de Janeiro. Em nota pública, o órgão criticou a estratégia de ordenamento urbano da orla carioca, argumentando que as medidas adotadas contra trabalhadores ambulantes têm resultado em violações sistemáticas de direitos humanos.

O colegiado declarou apoio às medidas requeridas pelo Ministério Público Federal (MPF), que defende a suspensão imediata dos efeitos do Decreto Municipal nº 58.256/2026. Para o conselho, embora o combate ao crime organizado seja um dever estatal, a política atual promove a estigmatização de uma categoria profissional essencial para a subsistência de milhares de famílias.

Conflitos e o Programa Tolerância Zero na orla carioca

O Programa Tolerância Zero, iniciado em 16 de julho, gerou reações imediatas de trabalhadores informais, que realizaram protestos em pontos turísticos como Copacabana e Leme. A prefeitura sustenta que a operação visa desarticular esquemas de exploração ilegal do espaço público, que, segundo o prefeito Eduardo Cavaliere, movimentariam cerca de R$ 100 milhões anualmente através de locações clandestinas de pontos e equipamentos.

O CNDH, contudo, contesta a metodologia municipal. O órgão aponta que a intervenção nas praias do Leme, Copacabana, Ipanema e Leblon ocorreu sem a adesão prévia ao Termo de Adesão à Gestão de Praias (TAGP) e sem a elaboração do Plano de Gestão Integrada (PGI), instrumentos exigidos para a gestão compartilhada de bens da União.

Impactos sociais e denúncias de violência

A nota do conselho destaca que os efeitos da política recaem desproporcionalmente sobre populações vulneráveis, incluindo pessoas negras, pardas, migrantes e refugiadas. O documento reforça que a ausência de mecanismos de regularização compromete o direito constitucional ao trabalho e o chamado mínimo existencial desses grupos.

Além das questões estruturais, o CNDH ecoou denúncias apresentadas por movimentos sociais, como o Movimento Unido dos Camelôs (Muca). Relatos apontam o uso desproporcional da força por agentes públicos durante as fiscalizações, incluindo o emprego de spray de pimenta contra mulheres migrantes e crianças, o que configuraria graves abusos.

Necessidade de diálogo e planejamento participativo

Para o colegiado, a solução para o ordenamento urbano não reside em políticas exclusivamente repressivas, mas na construção de um plano inclusivo. O conselho defende a criação de uma mesa permanente de diálogo que envolva a sociedade civil, trabalhadores e órgãos públicos, seguindo as diretrizes do Projeto Orla.

O CNDH insiste que a implementação de protocolos rigorosos é indispensável para prevenir novos episódios de violência. A proposta é que a gestão pública abandone a lógica de exclusão social e busque alternativas que conciliem a organização do espaço urbano com o respeito aos direitos fundamentais dos trabalhadores informais.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Ferroviária e Flamengo decidem vaga na semifinal do Brasileirão Feminino
Reprodução Instagram/Flamengo Futebol Feminino
Ferroviária e Flamengo decidem vaga na semifinal do Brasileirão Feminino neste sábado. Acompanhe a transmissão ao vivo pela TV Brasil….
setembro 5, 2026
Brasil avança em testes de tecnologia para pesquisas científicas em microgravidade
CECOMSAER
Brasil testa sistema de recuperação de plataforma para pesquisas em microgravidade no Centro de Lançamento da Barreira do Inferno, no…
setembro 5, 2026
Subtenente do Corpo de Bombeiros morre após sofrer convulsão durante serviço em Cuiabá
Foto: Corpo de Bombeiros
Subtenente Milton Ferreira das Meninas, de 47 anos, faleceu após sofrer convulsão durante expediente no 1º Batalhão de Bombeiros em…
setembro 5, 2026
Bebê prematura aguarda transferência judicial para tratamento renal urgente em Mato Grosso
Foto: SES-MT
Bebê prematura com insuficiência renal aguarda há cinco dias transferência determinada pela Justiça para UTI com nefrologia em Mato Grosso….
setembro 5, 2026
Justiça Eleitoral amplia acessibilidade com transporte gratuito e urnas adaptadas
Luiz Roberto/TSE
Justiça Eleitoral amplia transporte gratuito e adapta urnas eletrônicas com novas fontes e recursos de Libras para garantir o voto…
setembro 5, 2026
Carga de carne é saqueada após carreta tombar na Br-163 em Mato Grosso
Foto: Reprodução
Carga de carne é saqueada por motoristas após carreta tombar na BR-163 em Sorriso, Mato Grosso. Motorista saiu ileso do…
setembro 5, 2026