O estado do Acre registrou 386 casos de pessoas desaparecidas ao longo de 2025, mantendo um índice que coloca a unidade federativa acima da média nacional. Os dados foram compilados pelo Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (23) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), e revelam um cenário de preocupação para as autoridades locais.
Com uma taxa de 43,6 desaparecimentos para cada 100 mil habitantes, o Acre supera o índice brasileiro, que se estabeleceu em 39,5 casos por 100 mil pessoas. Embora o aumento em números absolutos tenha sido discreto — quatro ocorrências a mais do que as 382 registradas em 2024 —, a proporção populacional mantém o estado em uma posição de alerta dentro da Região Norte.
Panorama regional e estatísticas de localização
Dentro do contexto da Região Norte, o Acre ocupa a quarta maior taxa de desaparecimentos. O estado fica atrás apenas de Roraima, com 78,1 casos, Rondônia, com 58,1, e Amapá, com 50,8. Em contrapartida, o Amazonas, Tocantins e Pará apresentam números proporcionais menores, situando-se abaixo da marca acreana.
O levantamento aponta que, em todo o Brasil, foram notificados 84.269 desaparecimentos em 2025, um crescimento de 3,6% em relação ao ano anterior. Paralelamente, o país contabilizou 61.305 localizações. Contudo, o FBSP ressalta que esses números podem sofrer distorções, uma vez que nem todos os estados seguem o mesmo padrão de registro e muitas famílias não comunicam às autoridades quando o indivíduo é encontrado por meios próprios.
Protocolos de busca e legislação vigente
A legislação brasileira, por meio da Lei nº 13.812/2019, determina que a busca por pessoas desaparecidas deve ser tratada como prioridade absoluta pelas forças de segurança. A norma estabelece a Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas e reforça que o boletim de ocorrência deve ser registrado imediatamente após a comunicação, sem a exigência de qualquer prazo de espera.
Segundo orientações da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), o paradeiro desconhecido caracteriza o desaparecimento independentemente da causa. As instituições policiais têm o dever de iniciar as investigações de forma prioritária, mantendo o caso ativo até que a localização ou a identificação científica sejam confirmadas.
Casos emblemáticos e investigação policial
O ano de 2025 foi marcado por episódios de grande repercussão no Acre. Um dos casos mais notórios envolveu a bebê Cristina Maria, desaparecida em março, em Rio Branco. A investigação ganhou contornos dramáticos após o assassinato da mãe da criança, Yara Paulino da Silva, vítima de um crime motivado por boatos infundados. Até o momento, a criança permanece sem localização, sendo objeto de buscas internacionais via plataforma Amber Alert.
Outro registro que mobilizou as forças de segurança foi o desaparecimento de Bruno da Silva Holanda, de 29 anos, ocorrido no final de novembro. O caso, que está sob responsabilidade da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), exemplifica a complexidade das investigações que envolvem pessoas em situação de vulnerabilidade. Para mais detalhes sobre as políticas de segurança, consulte o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.