Produtores de algodão em Mato Grosso iniciam, a partir de 1º de outubro, o período de vazio sanitário, uma estratégia fundamental para conter a proliferação do bicudo-do-algodoeiro. A medida, que interrompe o ciclo reprodutivo da praga, segue o cronograma estabelecido pela Instrução Normativa nº 003/2024, dividindo o estado em duas regiões distintas para garantir a eficácia fitossanitária entre os ciclos da cultura.
Durante este intervalo, é proibida a manutenção de plantas de algodão vivas no campo. A eliminação de soqueiras e plantas tigueras é obrigatória, pois esses vegetais servem como hospedeiros, garantindo alimento e abrigo para o inseto até o início da próxima safra. O cumprimento rigoroso destas datas é essencial para a preservação da produtividade nas lavouras mato-grossenses.
Impacto do bicudo-do-algodoeiro na produtividade
O controle do bicudo é uma preocupação central devido à agressividade do inseto. Segundo Alex Rosa, assessor técnico da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), o ataque ocorre inicialmente nos botões florais, atraídos pelo odor característico da planta. As flores afetadas apresentam uma abertura anormal, assemelhando-se a um balão, e acabam caindo prematuramente.
Além dos danos externos, as larvas penetram nas maçãs do algodão, destruindo fibras e sementes. Esse processo compromete a qualidade do produto final e a capacidade de abertura das estruturas. Condições climáticas, especialmente períodos chuvosos, agravam o cenário, pois a umidade prolonga a sobrevivência dos botões atacados e favorece o desenvolvimento da praga.
Calendário regional e responsabilidade do produtor
A cotonicultura em Mato Grosso, que cultivou 1,36 milhão de hectares na safra 2025/26, opera majoritariamente em sistema de sucessão com a soja. Renan Tomazele, diretor técnico do Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea-MT), ressalta que o estado é o líder absoluto da produção nacional, respondendo por cerca de 70% de todo o algodão produzido no Brasil.
Para manter esse patamar, o calendário de vazio sanitário foi segmentado:
- Região I: O período ocorre de 1º de outubro a 30 de novembro, abrangendo 61 municípios, incluindo Rondonópolis, Primavera do Leste e Campo Verde.
- Região II: O intervalo compreende de 15 de outubro a 14 de dezembro, englobando polos como Sorriso, Sinop, Nova Mutum e Lucas do Rio Verde.
O Indea-MT reforça que a divisão atende às especificidades dos calendários de produção locais. O Sistema Famato orienta que todos os produtores rurais devem observar rigorosamente as obrigações previstas na legislação estadual de defesa sanitária vegetal para evitar sanções e proteger a sanidade da cultura.