TCU valida acordo para substituir suspensão de atividades no agro por multas

TCU valida acordo para substituir suspensão de atividades no agro por multas

O Tribunal de Contas da União (TCU) oficializou, nesta quarta-feira (5), em Brasília, a aprovação de uma solução consensual voltada a resolver impasses jurídicos e administrativos que atingem 379 empresas e produtores rurais dos setores de carnes e laticínios. A medida permite a conversão de penalidades de suspensão de atividades em multas pecuniárias, oferecendo uma alternativa para sanções aplicadas durante o período da pandemia de covid-19.

Mecanismo de adesão e impacto financeiro

Conforme detalhado pelo relator, ministro Jhonatan de Jesus, a adesão ao novo modelo é de caráter voluntário e definitivo. Para participar, o interessado deve realizar a quitação integral dos débitos e renunciar a quaisquer ações judiciais em curso relacionadas aos processos sancionadores. A estimativa oficial é de que a medida gere uma arrecadação de R$ 32 milhões aos cofres públicos.

Origem do passivo e contexto sanitário

O passivo em questão originou-se de decisões tomadas durante a crise sanitária, quando a aplicação de suspensões e interdições foi temporariamente contida para evitar a paralisação da cadeia de suprimentos de alimentos. Com o tempo, o volume de processos cresceu significativamente, atingindo 44 mil trâmites administrativos e 117 ações judiciais até março deste ano, totalizando mais de R$ 183 milhões em disputa.

Fundamentação legal e a Lei de Autocontrole

Representantes do setor agropecuário enfatizaram que as autuações não possuem relação com falhas higiênico-sanitárias. A defesa baseou-se na Lei de Autocontrole, sancionada em 2022, que reformulou a estrutura de fiscalização agropecuária. A nova legislação reclassificou as punições, transformando as suspensões e interdições em medidas cautelares temporárias, em vez de sanções definitivas.

Ineditismo na solução de controvérsias

O presidente do TCU, Vital do Rêgo, destacou o caráter inédito da decisão. Embora o mecanismo de solução consensual seja amplamente utilizado em setores como infraestrutura, energia e transportes, esta é a primeira vez que a Corte aplica o modelo para resolver conflitos de natureza sancionatória no agronegócio. A medida encerra um ciclo de incertezas jurídicas para os produtores e indústrias envolvidos, conforme reportado pelo Estadão Conteúdo.

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