O mercado brasileiro de soja iniciou a sessão desta terça-feira (4) sob forte influência da desvalorização observada na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT). Com negócios limitados estritamente às demandas imediatas, o cenário nacional refletiu a cautela de produtores e compradores, resultando em um dia de baixa liquidez e recuo nos preços praticados no mercado físico.
Segundo o analista Rafael Silveira, da Safras & Mercado, a pressão baixista externa superou os efeitos de um dólar ligeiramente mais forte e de prêmios que se mantiveram firmes. Enquanto o porto de Santos ainda conseguiu sustentar ofertas mais competitivas, a dinâmica geral do setor foi marcada pela retração de ambos os lados da ponta comercial, com o produtor optando por aguardar melhores oportunidades de venda.
Impacto da Bolsa de Chicago e clima nos Estados Unidos
As cotações em Chicago foram diretamente impactadas por previsões climáticas favoráveis ao cinturão produtor dos Estados Unidos. A expectativa de chuvas para os próximos dias trouxe alívio para o desenvolvimento das lavouras, um fator determinante visto que agosto é considerado um mês crítico para a definição do potencial produtivo da safra norte-americana.
Dados recentes do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), referentes ao levantamento realizado até 2 de agosto, apontam que 63% da safra de soja está classificada entre boas e excelentes condições. O quadro regular abrange 28% da área, enquanto 9% das lavouras apresentam condições entre ruins e muito ruins, mantendo a estabilidade em relação aos números divulgados na semana anterior.
Pressão adicional do mercado de energia e subprodutos
Além do fator climático, o mercado de soja sofreu pressão vinda do setor energético. A queda nos preços do petróleo, motivada por notícias sobre possíveis avanços diplomáticos entre Irã e Estados Unidos, influenciou negativamente as commodities agrícolas, gerando a segunda sessão consecutiva de perdas acentuadas na CBOT.
Os contratos com vencimento em setembro fecharam cotados a US$ 11,58 1/4 por bushel, uma queda de 1,32%. O cenário de baixa também se estendeu aos subprodutos, com o farelo de soja encerrando a US$ 312,60 por tonelada e o óleo de soja registrando perda de 1,06%, fechando a 68,06 centavos de dólar por libra-peso.
Dinâmica dos preços no mercado físico brasileiro
O reflexo das quedas internacionais foi sentido de forma heterogênea nas principais praças brasileiras. Em Passo Fundo (RS), a saca recuou de R$ 140 para R$ 138, enquanto em Santa Rosa (RS) o preço passou de R$ 141 para R$ 139. No Paraná, a praça de Cascavel registrou queda para R$ 132, enquanto Paranaguá manteve a estabilidade em R$ 144.
No Mato Grosso, a saca em Rondonópolis recuou para R$ 127. Em Dourados (MS), houve um movimento de alta pontual, com a saca avançando para R$ 128. Já em Rio Verde (GO), o preço recuou para R$ 127. Para acompanhar a evolução detalhada dos preços, consulte as cotações atualizadas do setor.