A semeadura da soja para a safra 2026/27 segue em ritmo desigual nas diferentes regiões produtoras de Mato Grosso. Enquanto o Médio-Norte desponta com 69,32% da área prevista já cultivada, os setores Nordeste e Noroeste enfrentam um ritmo mais lento e ainda não atingiram a marca de 40% dos trabalhos concluídos.
Segundo levantamento divulgado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) com dados apurados até 16 de outubro, a disparidade entre o Médio-Norte e o Noroeste supera 30 pontos percentuais. Essa diferença reforça o contraste nas condições climáticas e operacionais observadas desde o início do ciclo agrícola no estado.
Panorama regional e avanço da semeadura de soja
O avanço das plantadeiras apresenta variações expressivas em todo o território mato-grossense. No Oeste, os trabalhos alcançaram 61,58% da área estimada para a temporada, enquanto o Norte superou a metade do cronograma, registrando 52,37%. Em contrapartida, outras regiões avançam com maior cautela diante do regime de umidade.
No Centro-Sul, o plantio chegou a 48,65%, ao passo que o Sudeste marcou 40,76%. O Noroeste figura com o índice mais baixo de cobertura até o momento, atingindo 38,99%. No consolidado estadual, a semeadura atingiu 51,86% dos 13,05 milhões de hectares projetados para o ciclo 2026/27.
Apesar da discrepância regional, o índice médio estadual supera em 8,29 pontos percentuais o desempenho verificado no mesmo período da safra 2025/26. O patamar atual também permanece superior à média histórica das últimas cinco temporadas, calculada em 43,01%.
Impactos climáticos e reflexos no desenvolvimento
O ritmo das operações está diretamente atrelado ao comportamento do clima desde a abertura do plantio, na segunda quinzena de setembro. No início dos trabalhos, a escassez de precipitações regulares e a baixa umidade no solo forçaram agricultores a pausar o maquinário à espera de umidade adequada para a germinação.
Na semana concluída em 16 de outubro, o avanço geral foi de 18,58 pontos percentuais frente ao relatório anterior. A chegada de chuvas mais consistentes impulsionou as atividades em campo, com destaque para a recuperação do ritmo operacional no Centro-Sul e no Sudeste.
De acordo com a análise do Imea, a variação no ritmo semanal gera um escalonamento natural nas fases de desenvolvimento vegetativo das lavouras. Essa distribuição minimiza o risco de perdas severas, impedindo que grandes extensões de lavoura fiquem simultaneamente vulneráveis a adversidades climáticas.
Impacto direto no calendário do milho de segunda safra
A velocidade de implantação da cultura principal influencia diretamente o planejamento da segunda safra. De acordo com o Imea, o término dos trabalhos com a soja até o final de outubro é fundamental para assegurar a janela ideal de cultivo do milho em 2027.
Contudo, a viabilidade dessa segunda safra dependerá não apenas da semeadura atual, mas também da velocidade de maturação das plantas e das condições meteorológicas durante a colheita. Com regiões em estágios distintos de plantio, a janela para a sucessão das culturas será heterogênea no estado.
Para a safra 2026/27 de soja, o instituto mantém a projeção de 13,05 milhões de hectares plantados, com estimativa de produtividade média em 62,44 sacas por hectare. Com esses números, a produção total mato-grossense está estimada em 48,88 milhões de toneladas.
No campo econômico, os levantamentos indicam que o custo com insumos agrícolas gira em torno de R$ 3.817,12 por hectare. Já o custeio total operacional por hectare está avaliado em R$ 4.326,01 para os produtores de Mato Grosso.