O mercado brasileiro de soja apresentou um ritmo de comercialização contido nesta quarta-feira (5). Embora tenham sido registrados negócios pontuais envolvendo portos e a indústria, o volume de transações permaneceu abaixo das expectativas, mantendo as cotações em patamares praticamente estáveis na maior parte das praças acompanhadas.
Segundo Rafael Silveira, analista da Safras & Mercado, o cenário atual é reflexo de uma postura cautelosa por parte dos produtores. O setor mantém-se afastado das negociações em larga escala, aguardando ofertas mais atrativas, o que restringe o fluxo comercial às necessidades imediatas de suprimento, o chamado mercado de “mão para a boca”.
Dinâmica dos preços de soja no Brasil
Apesar da lentidão, algumas regiões registraram ajustes positivos nas cotações. Em Passo Fundo (RS), o valor da saca subiu de R$ 138,00 para R$ 139,00, enquanto em Santa Rosa (RS) houve avanço de R$ 139,00 para R$ 140,00. No Paraná, Cascavel viu o preço saltar de R$ 132,00 para R$ 134,00, e em Dourados (MS), a cotação passou de R$ 128,00 para R$ 129,00.
Nos portos, a tendência de alta foi acompanhada, com Paranaguá (PR) e Rio Grande (RS) atingindo R$ 145,00, ante os R$ 144,00 anteriores. Por outro lado, a estabilidade prevaleceu em praças importantes como Rondonópolis (MT) e Rio Verde (GO), ambas mantendo o valor de R$ 127,00 por saca.
Pressão externa e o cenário em Chicago
A Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) fechou o dia em baixa, influenciada por previsões climáticas favoráveis ao Meio Oeste dos Estados Unidos. As chuvas esperadas para os próximos dias beneficiam as lavouras americanas, reforçando a expectativa de uma safra robusta no segundo maior produtor mundial. Além disso, a desvalorização do petróleo no mercado internacional exerceu pressão adicional sobre as commodities.
Os contratos futuros de soja com entrega em novembro encerraram a sessão com queda de 0,25%, cotados a US$ 11,74 3/4 por bushel. A posição para janeiro também recuou, fechando a US$ 11,89 3/4 por bushel. O desempenho foi pressionado pela queda nos subprodutos, com o farelo de soja registrando baixa de 0,87% e o óleo de soja recuando 0,51%.
Influência cambial e prêmios nos portos
O dólar comercial encerrou o dia com leve queda de 0,07%, sendo negociado a R$ 5,1299 para venda. A volatilidade da moeda norte-americana, que oscilou entre R$ 5,0989 e R$ 5,1344, foi um dos fatores monitorados pelos agentes do mercado. A valorização do real frente ao dólar, em determinados momentos, tende a reduzir a competitividade do produto brasileiro para exportação.
Entretanto, a sustentação dos preços internos tem sido garantida pela manutenção de prêmios elevados nos portos brasileiros. Esse diferencial compensa parte da pressão baixista vinda do exterior, permitindo que os valores internos resistam a quedas mais acentuadas, mesmo em dias de menor movimentação comercial.