O mercado global de soja iniciou a semana sob a influência direta da forte demanda chinesa, que garantiu a recuperação dos preços na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT). Enquanto o cenário internacional demonstra dinamismo, o mercado interno brasileiro mantém um ritmo de cautela, com produtores rurais adotando uma postura de espera e reduzindo a oferta de volumes no mercado físico.
A análise da Safras & Mercado aponta que, apesar da volatilidade observada durante a sessão, os prêmios permanecem em patamares firmes. O produtor brasileiro, contudo, mostra-se distante das negociações atuais, priorizando a busca por patamares de preços que foram registrados há poucas semanas, o que resulta em um volume reduzido de comercialização no país.
Soja em Chicago e o impacto da demanda chinesa
Os contratos futuros da soja reverteram perdas iniciais causadas pela oscilação do petróleo e encerraram o dia em campo positivo. O principal motor dessa reação foi a confirmação de compras expressivas pela China, reportadas ao Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Exportadores privados confirmaram a venda de 488.000 toneladas para entrega na temporada 2026/27, além de outras 136.150 toneladas destinadas a compradores não revelados.
Estimativas de mercado sugerem que as aquisições chinesas realizadas na última sexta-feira podem ter atingido a marca de 1 milhão de toneladas. A movimentação é vista como uma estratégia de antecipação antes de eventos diplomáticos de alto nível. Paralelamente, o mercado monitora as condições das lavouras americanas, que atravessam em agosto o mês crítico para a definição do potencial produtivo da safra.
Cenário de preços no mercado físico brasileiro
No Brasil, o cenário de preços apresenta variações regionais, com o porto de Santos destacando-se pela firmeza nas cotações e pela demanda ativa. Em outras localidades, o movimento é mais contido. Em Passo Fundo (RS), a saca avançou para R$ 140,00, enquanto em Santa Rosa (RS) o valor atingiu R$ 141,00. No Paraná, Cascavel registrou R$ 133,00 e Paranaguá alcançou R$ 144,00.
Em Mato Grosso, a cotação em Rondonópolis subiu para R$ 129,00. Já em Dourados (MS) e Rio Verde (GO), os preços mantiveram estabilidade, cotados a R$ 127,00 e R$ 128,00, respectivamente. O porto de Rio Grande (RS) fechou o dia com a saca a R$ 146,00. Para acompanhar as atualizações constantes sobre o setor, consulte o Canal Rural.
Desempenho dos contratos futuros e subprodutos
Os contratos de soja em grão com vencimento em setembro fecharam com alta de 0,25%, cotados a US$ 11,73 3/4 por bushel. A posição para novembro apresentou valorização de 0,40%, atingindo US$ 11,92 1/4 por bushel. O mercado também refletiu o comportamento dos subprodutos, com o farelo de soja encerrando a US$ 315,40 por tonelada para setembro.
O setor de óleo de soja apresentou o desempenho mais expressivo do dia, com alta de 2,27%, fechando a 68,79 centavos de dólar. A atenção dos investidores agora se volta para os relatórios semanais do USDA, que trazem dados cruciais sobre as inspeções de exportação e o estado das lavouras norte-americanas, fatores que devem ditar o ritmo das negociações nos próximos dias.