Setor florestal brasileiro alcança recorde histórico de R$ 47,9 bilhões em produção

Setor florestal brasileiro alcança recorde histórico de R$ 47,9 bilhões em produção

As florestas brasileiras consolidaram um marco econômico sem precedentes em 2025, gerando uma produção avaliada em R$ 47,9 bilhões. O montante representa o maior valor já registrado na série histórica do país, com um crescimento de 6,7% em comparação ao ano anterior. Os dados integram a pesquisa Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS), divulgada pelo IBGE.

O levantamento abrange tanto o extrativismo em áreas naturais quanto a silvicultura, que consiste no cultivo de florestas plantadas. O desempenho recorde reflete a maturidade de um setor que se tornou estratégico para a balança comercial brasileira, unindo avanços tecnológicos à exploração sustentável de recursos madeireiros e não madeireiros em todo o território nacional.

Silvicultura ganha espaço e domina 85% do mercado florestal

A dinâmica da produção florestal brasileira passou por uma transformação estrutural profunda nas últimas décadas. Enquanto a silvicultura saltou 8,6% entre 2024 e 2025, atingindo R$ 41 bilhões, o extrativismo vegetal seguiu a tendência oposta, registrando um recuo de 3,1%. Atualmente, as áreas plantadas respondem por 85,6% de todo o valor gerado pelo setor.

Desde 2019, o valor econômico das florestas plantadas cresceu expressivos 165%. Segundo especialistas do IBGE, esse fenômeno é impulsionado por constantes investimentos em biotecnologia e manejo. Em 2025, a área destinada à silvicultura somou 10,4 milhões de hectares, uma extensão territorial comparável ao tamanho do estado de Pernambuco.

Liderança global na celulose consolida competitividade do Brasil

O eucalipto permanece como o protagonista absoluto das florestas plantadas, ocupando 78,6% da área total. A espécie é a base da indústria de celulose, setor no qual o Brasil detém a liderança mundial de exportação desde 2022, quando ultrapassou o Canadá. A produtividade nacional é favorecida por ciclos de crescimento rápidos, que variam entre sete e oito anos.

A produção de celulose alcançou 22,2 milhões de toneladas em 2025, uma alta de 12,7%. O país se beneficia de condições climáticas ideais e solos férteis, fatores que, somados às práticas de manejo sustentável, tornam o produto brasileiro altamente competitivo no mercado internacional. O setor é hoje um dos pilares da economia de exportação, figurando entre os dez produtos mais vendidos ao exterior.

Mercado internacional e demanda chinesa ditam preços das commodities

Apesar do aumento no volume produzido, o valor total das exportações de celulose em dólares apresentou um recuo de 3,9%, totalizando US$ 10,2 bilhões. Por se tratar de uma commodity, o preço é influenciado diretamente pela volatilidade do mercado global. O IBGE aponta que o excesso de oferta mundial e a desaceleração do consumo na China foram determinantes para essa oscilação.

Além do cenário externo, questões cambiais como a valorização do real também impactaram a conversão dos valores. Mesmo com esses desafios, a celulose manteve-se como o oitavo item mais exportado pelo Brasil em 2025, ficando atrás apenas de gigantes como o petróleo, a soja e o minério de ferro, reforçando a resiliência do agronegócio florestal.

Minas Gerais e Mato Grosso do Sul lideram polos produtivos

A produção florestal está presente em 4.889 municípios brasileiros, mas a concentração de riqueza destaca polos específicos. O município de Três Lagoas, em Mato Grosso do Sul, consolidou-se como o principal expoente, com uma produção de R$ 1,8 bilhão. A cidade abriga unidades de gigantes do setor, como a Suzano e a Eldorado, beneficiando-se da infraestrutura industrial instalada.

No âmbito estadual, Minas Gerais mantém a hegemonia com 22,5% do valor da silvicultura nacional, somando R$ 9,2 bilhões. O estado destaca-se especialmente na produção de carvão vegetal, sendo responsável por 84,6% do volume total do país. Essa produção é essencial para abastecer a indústria siderúrgica nacional, que utiliza o insumo como fonte de energia renovável.

Açaí e erva-mate sustentam extrativismo vegetal não madeireiro

Para além da madeira e celulose, os produtos alimentícios oriundos do extrativismo somaram R$ 2,2 bilhões. O açaí lidera este segmento com 251 mil toneladas produzidas, tendo o estado do Pará como responsável por dois terços desse volume. O fruto tornou-se um símbolo da bioeconomia amazônica, gerando renda para milhares de famílias extrativistas.

A erva-mate ocupa a segunda posição entre os produtos não madeireiros, movimentando R$ 562,3 milhões. A produção é fortemente concentrada na região Sul, com o Paraná respondendo por 88,4% de toda a extração nacional. Esses dados reforçam a importância da preservação das florestas naturais para a manutenção de cadeias produtivas tradicionais e sustentáveis. Para mais detalhes sobre dados econômicos nacionais, acesse o portal do IBGE.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Calor intenso e chuvas isoladas marcam a previsão do tempo em Cuiabá
Foto: g1
Cuiabá tem previsão de sol, calor de 39ºC e pancadas de chuva com trovoadas à tarde e à noite, segundo…
Eleições 2026 - lula participa de transmissão ao vivo com apoiadores e estimula voto de idosos
Reprodução / agenciabrasil.ebc.com.br
eleições 2026 – candidato intensifica campanha digital e apela para a participação de idosos e jovens nas urnas no segundo…
Governo convoca bancos para nova etapa do programa de renegociação de dívidas
© Marcello Casal JrAgência Brasil
Instituições financeiras têm prazo para informar dívidas à União na nova fase do programa federal de crédito….
Flamengo supera Fluminense e garante vaga nas semifinais da Copa do Brasil
Paula Reis/Flamengo
Flamengo vence o Fluminense por 3 a 1 e garante a última vaga nas semifinais da Copa do Brasil Feminina…
Lotofácil premia apostas em dezenas de cidades mato-grossenses
1 de 1 Lotofácil — Foto: Millena Sartori/g1
Concurso da Lotofácil premia apostas de dez cidades de Mato Grosso com acertos na faixa de quatorze números….
EUA sediarão a primeira Copa do Mundo de Clubes Feminina
corinthiansfutebolfeminino/ Instagram
Estados Unidos sediarão a primeira Copa do Mundo de Clubes Feminina em 2028, com participação garantida de equipes brasileiras….