O Santuário de Elefantes Brasil (SEB) celebra uma década de atuação dedicada ao acolhimento e à recuperação de animais retirados de situações de cativeiro. Localizada em Chapada dos Guimarães, a instituição consolidou-se como a primeira organização do gênero na América Latina, oferecendo um ambiente adaptado para que elefantes possam retomar comportamentos naturais após anos de exploração em circos e zoológicos.
A história do santuário começou a ser escrita com a chegada de suas primeiras moradoras, Guida e Maia, em 11 de outubro de 2016. Desde então, o espaço evoluiu para se tornar um refúgio que prioriza o bem-estar físico e emocional, contando com áreas de vegetação e lagos que permitem aos animais viverem com maior autonomia, longe das limitações impostas pelo confinamento prolongado.
Uma década de proteção e desafios no manejo
Ao longo dos últimos dez anos, o SEB enfrentou o desafio de adaptar grandes mamíferos a um novo estilo de vida. Atualmente, o santuário abriga sete elefantes, incluindo Maia, Rana, Bambi, Mara, Baby, Guilhermina e Sandro. A rotina no local é estruturada para reduzir o estresse do cativeiro, incentivando os animais a decidirem seus próprios horários de descanso, banho e deslocamento.
A equipe técnica, composta por veterinários, biólogos e tratadores especializados, monitora diariamente a saúde dos residentes. O manejo segue rigorosas diretrizes de segurança, que incluem a separação física por gênero e espécie. Essa organização respeita a estrutura social natural dos animais, permitindo interações seguras, como a comunicação por vocalizações ou o contato olfativo, sem que haja o risco de reprodução de espécies exóticas.
A chegada de Sandro e o debate sobre o bem-estar animal
A transferência mais recente ao santuário foi a de Sandro, um elefante de 54 anos que viveu por mais de quatro décadas no Parque Zoológico Municipal Quinzinho de Barros, em Sorocaba (SP). Sua chegada, em 18 de setembro, foi marcada por um intenso debate público e questionamentos sobre os riscos de transporte para animais de idade avançada. A discussão ganhou força após a morte de Haisa, companheira de Sandro, em 2020.
O processo de mudança foi resultado de uma longa disputa judicial entre a Prefeitura de Sorocaba e o Ministério Público de São Paulo. Em junho de 2026, o Tribunal de Justiça de São Paulo autorizou a transferência, baseando-se em perícias que apontavam a necessidade de um ambiente com maior estrutura para a espécie. Apesar das críticas de parte dos visitantes do zoológico, os responsáveis pelo SEB enfatizaram que a logística foi planejada para minimizar o estresse do animal.
Para mais informações sobre o trabalho de conservação, acesse o g1.