Queda nas queimadas e análise dos dados do Inpe
O Brasil apresentou um cenário de recuo nos registros de incêndios florestais durante o mês de junho. De acordo com informações divulgadas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o país contabilizou 5.209 focos de fogo, o que representa uma queda de 14% na comparação com o mesmo período de 2025. O índice atual também se posiciona 27% abaixo da média histórica observada entre os anos de 2010 e 2024.
Os dados, obtidos por meio de monitoramento via satélite, indicam uma variação regional importante na distribuição dessas ocorrências. Estados como Mato Grosso, Tocantins e Bahia concentraram o maior volume de registros no período. Em contrapartida, unidades da federação como Alagoas, Espírito Santo, Ceará e Pernambuco apresentaram números acima do esperado para o histórico do mês.
Concentração de focos no Cerrado e na Amazônia
A análise geográfica dos incêndios revela que o Cerrado foi o bioma mais afetado, concentrando quase 60% do total de detecções registradas no país. A Amazônia também apresentou números expressivos, respondendo por 26% das ocorrências. Além disso, o levantamento apontou que as terras indígenas foram responsáveis por 10% de todos os focos de calor identificados em território nacional.
Riscos meteorológicos e perspectivas para a estação seca
O relatório técnico do Inpe destacou que o risco de fogo permaneceu em níveis altos e críticos em grande parte do Brasil Central e em áreas do Nordeste. A região do Matopiba, que compreende áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, foi apontada como uma zona de atenção especial devido ao volume de chuvas registrado abaixo da média.
A tendência para os próximos meses é de um cenário desafiador. Especialistas alertam que a progressão da estação seca, somada aos efeitos do fenômeno El Niño, pode reduzir a umidade e elevar a incidência de queimadas. A expectativa é que o mês de julho registre um aumento no número de focos em comparação ao período anterior, exigindo monitoramento constante das autoridades ambientais.