A indústria brasileira enfrentou um novo período de retração em meados de 2026. Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que a produção industrial recuou 1,8% em junho, na comparação direta com o mês de maio. Este é o segundo mês consecutivo de resultados negativos para o setor, que já havia registrado uma queda de 0,9% no intervalo anterior.
Impacto da produção industrial na economia nacional
O cenário atual interrompe uma trajetória de recuperação que vinha sendo consolidada no primeiro quadrimestre do ano. Segundo o gerente da Pesquisa Industrial Mensal (PIM-BR), André Macedo, a perda acumulada de 2,7% observada no bimestre maio-junho foi suficiente para eliminar parte do ganho de 4,4% registrado entre janeiro e abril de 2026.
Apesar do recuo mensal, o desempenho em janelas mais amplas ainda mantém indicadores positivos. Na comparação com junho do ano passado, o setor apresentou um crescimento de 1,7%. Além disso, no acumulado do ano, a indústria mantém uma alta de 1,5%, enquanto o índice nos últimos 12 meses registra um avanço de 0,7%.
Desempenho setorial e categorias econômicas
A retração foi disseminada por grande parte do parque fabril nacional. De acordo com o levantamento do IBGE, 16 dos 25 ramos industriais pesquisados apresentaram queda na produção. O segmento de coque, produtos derivados de petróleo e biocombustíveis liderou as perdas, com uma redução de 5,9%.
Outros setores de relevância também contribuíram para o resultado negativo, como a indústria química (-4,3%) e a de produtos alimentícios (-1,9%). Setores como farmoquímicos e confecção de vestuário registraram quedas expressivas de 11% cada, enquanto o segmento de equipamentos de informática e eletrônicos recuou 8,9%.
Setores em alta e categorias produtivas
Nem todos os segmentos operaram no campo negativo. Entre as nove atividades que registraram expansão, destacam-se o setor de impressão e reprodução de gravações, com um salto de 20,2%, seguido por celulose e papel (5,4%) e metalurgia (1,4%).
Ao analisar as quatro grandes categorias econômicas, o cenário de queda foi generalizado. Os bens de consumo semi e não duráveis sofreram a maior retração, com 4,1%, seguidos pelos bens de consumo duráveis, que caíram 3,2%. Já os bens de capital e os bens intermediários, essenciais para a cadeia produtiva, registraram recuos de 1,1% cada.