Preço do limão dispara no mercado brasileiro devido a quebra de safra

Preço do limão dispara no mercado brasileiro devido a quebra de safra

O mercado brasileiro de frutas enfrenta um cenário de alta volatilidade com o encarecimento expressivo do limão. Mesmo durante o período de entressafra, o valor da fruta superou as médias históricas, pressionando o bolso do consumidor e refletindo uma oferta reduzida nas principais regiões produtoras do país.

A instabilidade nos preços é atribuída a uma combinação de fatores climáticos adversos que comprometeram a produtividade. De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq), a condição precária da florada, impactada por chuvas excessivas no início do ano, limitou a disponibilidade do produto no mercado.

Impacto da redução na oferta e alta no custo ao produtor

Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) revelam a dimensão da crise no cinturão cítrico paulista, responsável por 80% da produção nacional. O valor pago ao produtor pela caixa de 27,2 kg de limão tahiti saltou de R$ 32,10 em junho para R$ 104,78 em agosto, um aumento acumulado de 226,4% no período.

A comparação interanual evidencia a gravidade do quadro, com o preço da caixa em agosto de 2026 superando em 71% o valor registrado no mesmo mês de 2025. Esse encarecimento na origem foi rapidamente repassado aos grandes entrepostos, como o Ceagesp, em São Paulo, e a CeasaMinas, em Belo Horizonte, onde as cotações atingiram picos de alta superiores a 370%.

Fatores climáticos e a dinâmica da entressafra

O ciclo produtivo do limão, que normalmente apresenta estabilidade entre março e abril antes de entrar na entressafra, foi severamente alterado. O excesso de umidade e o aumento de dias nublados não apenas reduziram o volume colhido, mas também prejudicaram a qualidade comercializável das frutas.

As regiões de Bebedouro e Matão, que concentram 68% da produção do cinturão cítrico, foram as mais afetadas. A florada de julho, fundamental para a oferta do segundo semestre, sofreu danos diretos pelas chuvas acima da média, o que comprometeu o pegamento dos frutos e reduziu a colheita que deveria suprir o mercado entre setembro e outubro.

Competição externa e perspectivas para o mercado

Além da queda na oferta interna, a pressão sobre os preços foi intensificada pela demanda externa, que absorve cerca de 11% da safra nacional, com foco no mercado europeu. Somou-se a isso o aumento do consumo interno impulsionado pelas altas temperaturas registradas em agosto e setembro.

A normalização dos preços depende agora da chegada da nova safra, prevista para o final do ano. Embora tenha havido uma leve retração nas cotações no Ceagesp na última semana, especialistas alertam que a tendência de estabilidade ainda é incerta, com riscos climáticos persistentes para o próximo ano.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Prefeito afasta secretário municipal de segurança após ameaças a eleitores
Pref. Barra do Corda/ Divulgação
Prefeito afasta secretário municipal de segurança após circulação de áudios com ameaças a eleitores no estado….
Aeronave é incendiada na zona rural após interceptação da força aérea
Foto: Reprodução
Aeronave de pequeno porte é incendiada na zona rural após interceptação aérea em operação conjunta de segurança e defesa….
Energia garantida para o segundo turno das eleições com operação especial
© Paulo Pinto/Agência Brasil
Operador adota operação especial para garantir o fornecimento de energia elétrica durante o segundo turno das eleições neste final de…
Consulta ao lote residual de restituição do imposto de renda é liberada
© Bruno Peres/Agência Brasil
Contribuintes já podem consultar o lote residual de restituição do Imposto de Renda liberado pela Receita Federal com pagamentos previstos….
Acarajé tradicional ganha destaque em receita de família e resgata ancestralidade
Foto: Reprodução
Aprenda a fazer acarajé tradicional com receita que valoriza a ancestralidade, os ingredientes autênticos e o modo de preparo correto….
Prévia da inflação desacelera e fecha outubro com alta de 0,32 por cento
© Arquivo/Agência Brasil
A prévia da inflação oficial desacelerou para 0,32% em outubro, acumulando alta de 4,62% em 12 meses acima do teto…