A Polícia Federal revelou novos detalhes sobre a investigação que apura o suposto desvio de R$ 308 milhões envolvendo o Governo de Mato Grosso e a empresa de telefonia Oi. Segundo as autoridades, dois fundos de investimento que receberam os recursos foram constituídos apenas 48 dias antes da formalização do acordo oficial, um movimento que os investigadores interpretam como um forte indício de planejamento prévio para a movimentação financeira.
Estrutura financeira e indícios de privilégio
A investigação aponta que os fundos Royal Capital FIDC e Lotte Word FIDC foram criados em 22 de fevereiro de 2024. O Termo de Autocomposição entre o Estado e a Oi foi assinado apenas em 10 de abril daquele ano. Para a Polícia Federal, a criação dessas estruturas, que custaram entre R$ 90 mil e R$ 100 mil, sugere que os envolvidos possuíam informações privilegiadas sobre o desfecho das negociações.
Conforme a decisão do ministro Flávio Dino, que autorizou a operação, a estrutura foi desenhada para promover a distribuição dos valores sob múltiplas camadas de opacidade. O objetivo seria dificultar o rastreamento do dinheiro após o repasse inicial, realizado para um escritório de advocacia, que posteriormente transferiu a totalidade dos recursos para os fundos citados.
Alvos da Operação Heritage
A operação, deflagrada na quinta-feira (6), cumpriu 25 mandados de busca e apreensão em Mato Grosso, São Paulo, Rondônia e Ceará. Entre os principais alvos estão o ex-governador Mauro Mendes e o deputado federal Fábio Garcia. A lista de investigados também inclui o desembargador Ricardo Almeida e o conselheiro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Ulisses Rabaneda.
As autoridades apuram a possível prática de crimes como organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. A defesa dos investigados, em notas oficiais, tem refutado as acusações, argumentando que a atuação profissional foi técnica, regular e pautada pela legalidade durante o processo de acordo com a companhia Oi S.A.
Posicionamento das instituições
A Procuradoria-Geral do Estado (PGE-MT) manifestou confiança no trabalho da Polícia Federal e afirmou que contribuirá integralmente com as solicitações das autoridades. O órgão declarou que aguarda com naturalidade os desdobramentos, acreditando no esclarecimento total dos fatos. Para mais detalhes sobre o andamento do caso, acompanhe as atualizações oficiais através do portal g1.