O mercado físico do boi gordo apresentou um movimento de recuperação nesta quinta-feira, com a concretização de negócios realizados acima das referências médias praticadas anteriormente. Embora o ritmo das transações tenha se mantido pouco fluido ao longo do dia, o setor pecuário observou um avanço expressivo nos preços, especialmente na região Norte do país, que liderou as altas no período.
A dinâmica atual do setor é influenciada diretamente pela limitação das escalas de abate, que permanecem curtas na média nacional, variando entre cinco e sete dias úteis. Segundo Fernando Henrique Iglesias, analista da Safras & Mercado, a evolução dessas escalas, aliada ao desempenho semanal das exportações, constitui a variável fundamental para compreender as tendências de curtíssimo prazo no mercado de proteína animal.
Dinâmica de preços e escalas de abate
O cenário de oferta restrita pressiona as cotações em diversos estados produtores. Em São Paulo, a arroba do boi foi negociada a R$ 349,92 na modalidade a prazo. Em Goiás, a indicação média atingiu R$ 329,11, enquanto em Minas Gerais o valor médio registrado foi de R$ 327,35.
No Mato Grosso do Sul, a arroba alcançou a marca de R$ 335,23. Já no Mato Grosso, o patamar indicado foi de R$ 328,11. Esses valores refletem a dificuldade dos frigoríficos em alongar suas programações de abate diante da menor disponibilidade de animais prontos para o mercado.
Valorização no atacado e demanda sazonal
O mercado atacadista também acompanhou a tendência de alta, impulsionado pela demanda sazonal característica do período. A proximidade do Dia dos Pais tem estimulado a reposição entre atacado e varejo, permitindo que os frigoríficos tentem repassar o encarecimento da matéria-prima para o preço final da carne bovina.
Apesar desse movimento, a competitividade das proteínas concorrentes atua como um limitador para altas mais acentuadas. A carne de frango, em particular, exerce pressão sobre o consumo, dificultando repasses mais agressivos. No fechamento, o quarto dianteiro foi cotado a R$ 21,00 por quilo, com alta de R$ 1,00, mesmo valor de acréscimo registrado na ponta de agulha, que atingiu R$ 20,00. O quarto traseiro manteve-se em R$ 26,50 por quilo.
Influência do câmbio no cenário pecuário
O comportamento da moeda norte-americana desempenha um papel crucial na balança comercial da carne bovina. O dólar comercial encerrou a sessão com recuo de 0,24%, sendo negociado a R$ 5,1088 para venda e R$ 5,10685 para compra. Durante o pregão, a divisa oscilou entre a mínima de R$ 5,0886 e a máxima de R$ 5,1411, mantendo os agentes do mercado atentos aos reflexos cambiais sobre a rentabilidade das exportações.