A pecuária brasileira e a medicina nacional registraram uma perda significativa neste sábado (25). Faleceu, aos 75 anos, o médico oftalmologista e pecuarista Iluci Afonso Almeida de Faria, figura amplamente reconhecida por sua dedicação ao aprimoramento genético da raça nelore mocho. Sua trajetória, marcada pelo rigor técnico e pela paixão pelo campo, consolidou seu nome como uma referência fundamental para criadores em todo o território nacional.
Trajetória entre a medicina e a seleção genética
Natural de Fernandópolis, no estado de São Paulo, Iluci construiu grande parte de sua história produtiva em Iturama, Minas Gerais. Foi nesta região que ele dedicou décadas de trabalho à seleção genética, transformando seu rebanho em um modelo de qualidade que alcançou diversas regiões do país. O pecuarista equilibrou com maestria sua atuação profissional na oftalmologia com o compromisso constante com o desenvolvimento do setor agropecuário.
Legado de rigor técnico na raça nelore mocho
O impacto do trabalho de Iluci foi destacado pela Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), que emitiu nota oficial lamentando o falecimento do associado. A entidade ressaltou que a contribuição do criador foi essencial para o fortalecimento da genética do nelore mocho, uma raça que exige precisão e investimento contínuo em melhoramento.
Segundo Thinouco Francisco Sobrinho, técnico de campo da ABCZ, a marca registrada de Iluci era o critério rigoroso em suas escolhas. O pecuarista mantinha o foco constante na utilização de inseminação artificial com os principais touros da raça, garantindo a excelência de seu plantel. A dedicação pessoal de Iluci em acompanhar cada visita técnica à sua fazenda, aliada a uma postura de notável simplicidade, deixou uma marca profunda naqueles que compartilharam de sua rotina de trabalho.
Reconhecimento e impacto no setor
A perda de um selecionador com o perfil de Iluci Afonso Almeida de Faria é sentida por toda a cadeia produtiva. Além de sua contribuição técnica, ele deixa um exemplo de como a visão científica, vinda de sua formação na medicina, pode ser aplicada com sucesso na pecuária de corte. Sua ausência deixa uma lacuna no cenário da genética zebuína, mas seu trabalho permanece como base para o desenvolvimento futuro da raça no Brasil.