A Polícia Civil deflagrou, na manhã desta quinta-feira (10), a Operação Ganatum II, focada no desmantelamento de um esquema de sonegação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). A ação investiga irregularidades na comercialização interestadual de gado entre os estados de Mato Grosso e Rondônia, movimentando valores que superam a marca de R$ 30 milhões.
Ao todo, foram expedidos 12 mandados de busca e apreensão, cumpridos simultaneamente em seis municípios. A operação visa angariar provas documentais e digitais que comprovem a fraude tributária e a ocultação de patrimônio pelos envolvidos na cadeia de comercialização de bovinos.
Distribuição dos mandados e logística da investigação
Em Mato Grosso, a força-tarefa concentrou esforços em quatro cidades, totalizando sete mandados de busca e apreensão. As ordens judiciais foram executadas nos municípios de Comodoro, Santo Afonso, Dom Aquino e Castanheira. A ação conta com o suporte de equipes especializadas para a análise de documentos apreendidos durante as diligências.
Segundo as autoridades, o esquema operava através da aquisição de animais de produtores rurais em Rondônia sem a devida emissão de notas fiscais. Para o transporte do gado, os investigados utilizavam apenas a Guia de Trânsito Animal (GTA), contornando a fiscalização tributária obrigatória nas divisas estaduais.
Mecanismos de fraude e simulação fiscal
A investigação aponta que, após a compra irregular, os envolvidos emitiam documentos fiscais simulando a transferência dos bovinos entre estabelecimentos que pertenciam ao mesmo titular. O objetivo era utilizar indevidamente a hipótese de não incidência do ICMS, conferindo uma aparência de legalidade a uma operação que, na prática, era comercial.
Na realidade, os animais eram entregues diretamente aos compradores finais em Mato Grosso, sem o registro adequado perante os órgãos fazendários. Para sustentar a fraude, o grupo utilizava propriedades rurais sem estrutura logística compatível com o volume de gado movimentado, servindo apenas como fachada para as transações.
Ocultação de beneficiários e próximos passos
Além da simulação fiscal, a Polícia Civil identificou indícios de que o esquema utilizava terceiros, conhecidos como “laranjas”, para ocultar a identidade dos reais operadores e beneficiários do lucro das transações. A estratégia visava dificultar o rastreamento do fluxo financeiro e a responsabilização dos envolvidos.
As informações detalhadas sobre a operação podem ser acompanhadas através da fonte oficial no portal g1 Mato Grosso. As autoridades seguem com a análise do material apreendido para identificar todos os participantes da rede de sonegação e calcular o prejuízo total causado aos cofres públicos.