Especialistas das Organizações das Nações Unidas assinaram uma carta em que apontam restrições à liberdade de expressão em plataformas como Instagram, Facebook e WhatsApp, todas da empresa Meta, nas eleições brasileiras. Observadores internacionais que participaram do pleito detectaram tratamento desigual das plataformas em relação aos conteúdos das campanhas.
O documento aponta que contas ligadas a um dos candidatos foram prejudicadas, registrando episódios como interrupções temporárias de perfis de campanha, além de engajamento e alcance de publicações políticas severamente reduzidos. Milhares de contas e perfis de influenciadores, jornalistas e criadores de conteúdo também foram suspensos, conforme apontado pelos especialistas internacionais.
Apontamentos do NetLab sobre redes sociais
Uma carta do NetLab também questionou a derrubada de um perfil sob a alegação de controle contra notícias falsas ligadas a políticas públicas, enquanto a empresa manteve páginas com publicações contendo desinformação. O documento identificou falhas da corporação tecnológica que teriam permitido a veiculação de propaganda eleitoral paga no exterior durante o resguardo eleitoral.
O laboratório de pesquisas sobre internet e redes sociais é vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro. As análises buscam compreender o impacto dos algoritmos no equilíbrio da disputa democrática e na visibilidade das diferentes correntes políticas.
Ação judicial sobre o aplicativo WhatsApp
A campanha eleitoral formalizou uma ação jurídica após relatos de restrições em ferramentas de inteligência artificial. Usuários indicaram que o sistema de mensagens se recusava a gerar conteúdos específicos associados a determinados termos políticos, enquanto operava sem limitações para outras candidaturas.
A representação jurídica protocolada apontou a ocorrência de suposta seletividade algorítmica na condução das ferramentas tecnológicas. O caso passou a tramitar nas instâncias competentes para a avaliação da legalidade e da isonomia no uso das plataformas digitais.
Posicionamento oficial da empresa Meta
Em resposta aos questionamentos sobre a manifestação internacional, a empresa afirmou que os usuários podem se expressar livremente em seus aplicativos, sem preferência por posicionamentos políticos. A companhia sustentou que incidentes técnicos podem ocorrer devido à escala de seus serviços, mas negou qualquer direcionamento político intencional.
A organização tecnológica também declarou que cumpre a legislação eleitoral e atua prontamente na correção de falhas identificadas. Em relação aos apontamentos acadêmicos, argumentou que remove conteúdos irregulares conforme suas diretrizes de segurança e integridade digital.