O pastor Nivaldo de Almeida faleceu neste sábado (5), em Cuiabá, em decorrência de complicações causadas por um câncer. O religioso era uma das figuras centrais em uma investigação da Polícia Civil de Mato Grosso que apura o uso de um projeto religioso para oferecer suporte a uma facção criminosa com atuação nacional.
Contexto da Operação Fariseus
O nome de Nivaldo de Almeida ganhou destaque no cenário policial em julho deste ano, quando foi deflagrada a Operação Fariseus. A ação investiga a suspeita de que o pastor, sua esposa, a pastora Orminda Carlos de Barcelos Almeida, e sua filha, Rhavenna Barcelos de Almeida, teriam utilizado a fachada de um projeto missionário para prestar apoio logístico, financeiro e de comunicação ao Comando Vermelho.
Durante a operação, foram cumpridos mandados de busca e apreensão contra o casal, enquanto a filha, Rhavenna Barcelos de Almeida, teve a prisão preventiva decretada. As autoridades também determinaram a quebra de sigilos bancário, telefônico e telemático dos investigados, além de suspender o acesso do grupo a unidades prisionais.
Acusações e suposto apoio a facção
Segundo a Polícia Civil, a investigação teve início após denúncias anônimas indicarem que o projeto religioso servia como meio para a entrada de itens proibidos, como celulares e carregadores, na Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá. O grupo é suspeito de facilitar a comunicação entre lideranças criminosas presas e foragidas.
As provas reunidas pelos investigadores incluem registros de videochamadas entre integrantes da família e membros da facção. Em um dos episódios, um líder foragido teria participado de uma chamada enquanto um comparsa realizava disparos de fuzil. Além disso, diálogos interceptados sugerem a negociação de armas de fogo e a solicitação de punições internas, conhecidas como “salves”, contra terceiros.
Desdobramentos das investigações
Os investigados respondem por suspeitas de integrar organização criminosa, lavagem de dinheiro, tortura e corrupção de menor. A atuação do grupo teria extrapolado o âmbito religioso, estabelecendo vínculos operacionais diretos com o crime organizado. O corpo do pastor Nivaldo de Almeida foi sepultado na manhã deste domingo (6).