O mercado brasileiro de soja apresentou uma sessão de baixa liquidez no ambiente físico, refletindo um cenário de cautela entre os produtores e compradores. A combinação de fatores macroeconômicos, incluindo a desvalorização do dólar frente ao real e a manutenção dos prêmios de exportação, resultou em cotações praticamente estáveis em diversas praças do país, com apenas ajustes pontuais observados ao longo do dia.
Segundo a análise técnica de Rafael Silveira, consultor da Safras & Mercado, o distanciamento dos agentes do setor das mesas de negociação foi o fator determinante para o ritmo lento. A demanda, embora presente, concentrou-se de forma quase exclusiva no porto de Santos, mantendo o escoamento dentro da normalidade, porém sem gerar pressão de alta ou baixa significativa nos preços internos.
Estagnação nas cotações da soja no mercado físico
A estabilidade foi a marca registrada do dia nas principais regiões produtoras do Brasil. Em Passo Fundo (RS), o valor da saca permaneceu em R$ 139,00, enquanto em Santa Rosa (RS) o preço se manteve em R$ 140,00. O cenário se repetiu no Centro-Oeste, com Rondonópolis (MT) e Rio Verde (GO) cotados a R$ 127,00, e Dourados (MS) mantendo a referência de R$ 129,00.
No Paraná, a praça de Cascavel registrou estabilidade em R$ 134,00. Nos portos, que servem como termômetro para a paridade de exportação, os preços também não sofreram alterações, com Paranaguá (PR) e Rio Grande (RS) mantendo o patamar de R$ 145,00 por saca.
Recuperação e volatilidade na Bolsa de Chicago
Diferente do mercado interno, a Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) registrou um fechamento positivo para os contratos futuros da oleaginosa. A sessão foi marcada por volatilidade, mas os preços conseguiram recuperar parte das perdas acumuladas recentemente, impulsionados principalmente por sinais de reaquecimento da demanda chinesa.
Relatos de mercado indicam que a China adquiriu um volume expressivo de soja norte-americana, com estimativas de pelo menos 10 cargas negociadas. As compras, realizadas pela estatal Sinograin, possuem embarques programados para os meses de outubro e novembro, sinalizando uma antecipação de estoques antes de eventos diplomáticos de alto nível.
Impacto do câmbio e indicadores de exportação
O comportamento do dólar comercial foi um dos pilares que sustentou a estabilidade dos preços no Brasil. A moeda norte-americana encerrou o dia com queda de 0,48%, sendo negociada a R$ 5,1051 para venda. Essa valorização do real frente ao dólar acaba por limitar a competitividade do produto brasileiro no mercado externo, compensando a leve alta observada na bolsa internacional.
No que tange aos dados oficiais, as vendas líquidas norte-americanas para a temporada 2025/26 atingiram 32.200 toneladas, o menor volume do período. Em contrapartida, para a safra 2026/27, o mercado observou vendas de 903.900 toneladas. Adicionalmente, exportadores privados confirmaram ao USDA a venda de 122.000 toneladas para a China, reforçando o suporte fundamental aos preços futuros.