O mercado brasileiro de café apresentou um comportamento atípico durante o mês de julho. Mesmo com o progresso constante da colheita da safra 2026/27 em diversas regiões produtoras, as cotações tanto do arábica quanto do robusta encerraram o período com valorização, desafiando a lógica tradicional de oferta e demanda que geralmente pressiona os preços para baixo durante a safra.
Dinâmica de preços e desafios na colheita do arábica
O café arábica enfrentou um cenário de incertezas climáticas que impactou diretamente os valores de mercado. A ocorrência de chuvas em áreas estratégicas de produção gerou preocupações entre os produtores, tanto em relação ao ritmo dos trabalhos de campo quanto à preservação da qualidade dos grãos colhidos.
Esse contexto proporcionou suporte às cotações, neutralizando o efeito da maior disponibilidade do produto. Segundo dados do Cepea, o Indicador Cepea/Esalq do arábica atingiu R$ 1.729,84 por saca de 60 kg no dia 4 de agosto, refletindo uma valorização acumulada de 10,48% ao longo de julho.
Fase final dos trabalhos no campo
As atividades de colheita no Brasil já se aproximam de sua etapa conclusiva. Atualmente, estima-se que cerca de 20% da área destinada ao arábica ainda aguarde o processo de retirada dos grãos. A maior parte do esforço operacional dos produtores está concentrada na finalização dos últimos talhões e no recolhimento do café que caiu ao solo.
Sustentação do mercado de robusta
Diferente do arábica, a colheita do robusta encontra-se praticamente finalizada no território nacional. Contudo, a variedade também registrou um movimento de alta em julho, encerrando o mês com uma valorização de 2,90%.
A sustentação dos preços para o robusta é atribuída a dois fatores principais: a redução no volume total produzido nesta temporada e o efeito cascata da valorização do arábica. Essa correlação manteve o mercado firme, garantindo estabilidade nas cotações mesmo diante do aumento da oferta sazonal, com o indicador fechando em R$ 1.095,15 por saca na última medição.