A busca por melhores condições de vida para seu filho, João Pedro Leal, de 20 anos, levou a baiana Nilza Carla Leal a uma jornada de superação e inovação científica. Enquanto acompanhava o jovem, que possui paralisia cerebral, em constantes internações hospitalares, Nilza dedicou seu tempo livre aos estudos, transformando a necessidade de cuidado em uma solução tecnológica: o JO+, um absorvente dérmico especializado para pacientes gastrostomizados.
Inovação no cuidado com pacientes gastrostomizados
O dispositivo, desenvolvido a partir de poliuretano, foi projetado para oferecer proteção à pele ao redor da sonda de gastrostomia. O equipamento atua na absorção de secreções e, de forma inteligente, altera sua coloração para indicar o momento exato da troca. Essa funcionalidade visa reduzir o atrito e prevenir ferimentos, complicações comuns que Nilza enfrentou pessoalmente durante o tratamento de seu filho.
A gastrostomia é um procedimento que cria um canal direto ao estômago para alimentação e medicação. Conforme explica o gastroenterologista Luiz Almeida, do Hospital Mater Dei Emec, a área da incisão exige atenção rigorosa, pois o vazamento de líquidos gástricos pode causar lesões graves na pele. O JO+ surge, portanto, como uma alternativa superior ao uso convencional de gazes e adesivos, que muitas vezes não oferecem a proteção necessária.
Trajetória de superação e capacitação acadêmica
A trajetória de Nilza Carla é marcada por resiliência. Após o diagnóstico de paralisia cerebral de João Pedro, que ocorreu cinco meses após o nascimento devido a complicações no parto, ela precisou abandonar sua carreira e estudos em administração para se dedicar integralmente ao filho. A rotina de cuidados, que hoje conta com o apoio da filha mais nova, Maria Júlia Leal, de 14 anos, não impediu a mãe de buscar qualificação.
Ao longo dos anos, Nilza tornou-se técnica de enfermagem, bióloga e atualmente cursa um mestrado. A criação do protótipo, iniciada em 2016, envolveu anos de testes em campo e a oficialização da patente. O nome do dispositivo é uma homenagem direta a João Pedro e aos demais pacientes que podem ser beneficiados pela tecnologia.
Desafios para a produção em escala
Apesar do sucesso no desenvolvimento do produto, a pesquisadora enfrenta obstáculos para levar a invenção ao mercado. Atualmente, o custo de produção unitária é de R$ 4,90, mas a falta de faturamento impede a participação em editais de fomento que exigem um histórico financeiro mínimo de R$ 100 mil anuais. Sem acesso a esses recursos, Nilza busca alternativas para viabilizar a construção de uma fábrica própria.
A meta da inventora é tornar a produção autossustentável e reduzir ainda mais os custos para as famílias que dependem do dispositivo. Enquanto aguarda por parcerias ou investimentos, ela mantém a dedicação ao projeto, reforçando a importância de soluções que garantam dignidade e qualidade de vida para pessoas com deficiência. Para mais informações sobre o cenário da saúde, acompanhe o portal g1 Bahia.