Legado de Tereza de Benguela impulsiona luta por direitos e titulação de terras quilombolas

Legado de Tereza de Benguela impulsiona luta por direitos e titulação de terras quilombolas

A força histórica de Tereza de Benguela na resistência contemporânea

O dia 25 de julho marca o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, uma data que transcende a celebração e se consolida como um momento de reivindicação por direitos. No Brasil, a ocasião também homenageia Tereza de Benguela, líder quilombola do século 18 que comandou o Quilombo do Quariterê, em Mato Grosso. Sua trajetória de resistência contra a escravidão, liderando uma comunidade composta por negros e indígenas, permanece como um símbolo fundamental para os movimentos sociais atuais.

Leonor Costa, jornalista e pesquisadora em Direitos Humanos, ressalta que o exemplo da “rainha Tereza” é um chamado ao enfrentamento constante contra sistemas opressores. Documentos históricos apontam que a gestão do quilombo sob sua liderança era pautada por um sistema parlamentarista, onde as decisões eram tomadas de forma coletiva, evidenciando uma organização política avançada para o período.

A urgência pela titulação de territórios quilombolas

Apesar dos avanços históricos, a pauta da terra permanece como o principal desafio para as comunidades tradicionais. Selma Dealdina Mbaye, representante da Coordenação Nacional de Comunidades Negras Rurais Quilombolas, enfatiza que a luta pela titulação é uma questão de sobrevivência e dignidade. Segundo ela, a maioria dos habitantes desses territórios é composta por mulheres que buscam proteção contra a grilagem, a mineração predatória e a violência.

Dados atuais indicam a existência de mais de 8 mil quilombos espalhados pelo Brasil, abrangendo mais de 1,3 milhão de pessoas em 24 estados e 1,7 mil municípios. A garantia da posse legal dessas terras é vista como o passo essencial para assegurar a preservação cultural e a segurança física dessas populações diante das ameaças externas.

Mobilização nacional e o Julho das Pretas

A celebração do 25 de julho ganhou contornos institucionais no Brasil em 2014, com a criação do Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra. Essa data se soma ao marco internacional estabelecido em 1992, durante o 1º Encontro de Mulheres Afro-latino-americanas e Afro-caribenhas, realizado em Santo Domingo, na República Dominicana, que reuniu representantes de mais de 30 países para denunciar o racismo estrutural.

No cenário nacional, o Julho das Pretas, iniciativa do Instituto Odara, tornou-se o principal motor de articulação política e cultural. Em sua 14ª edição, o movimento promove centenas de atividades organizadas por centenas de coletivos, fortalecendo a rede de apoio e a visibilidade das demandas das mulheres negras em todo o território brasileiro.

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