A defesa de Carlos Alberto Gomes Bezerra, réu pelo assassinato de Thays Machado e Adriano Balbinote, intensificou as movimentações jurídicas a poucos dias do Tribunal do Júri. Os advogados protocolaram um pedido para que a Justiça determine a realização de um incidente de insanidade mental, alegando a necessidade de uma perícia oficial antes que o julgamento, remarcado para o dia 31 de julho, seja efetivamente iniciado.
O caso, que tramita no Mato Grosso, envolve acusações graves de feminicídio e homicídio qualificado. A estratégia da defesa busca questionar a capacidade mental do acusado no momento dos fatos, fundamentando-se em um parecer psiquiátrico elaborado em 2023 que aponta possíveis transtornos psiquiátricos.
Alegação de ciúme mórbido e avaliação psiquiátrica
Durante uma entrevista coletiva realizada nesta quinta-feira (24), o médico psiquiatra forense Hewdy Lobo Ribeiro apresentou a tese que sustenta o pedido da defesa. Segundo o especialista, a principal hipótese diagnóstica é um transtorno delirante persistente focado em ciúme, popularmente conhecido como ciúme mórbido.
O psiquiatra explicou que essa condição pode levar o indivíduo a distorcer a realidade, resultando em comportamentos inadequados e desfechos agressivos. A defesa utiliza esse argumento para reforçar a necessidade de um laudo pericial oficial, conforme previsto no artigo 149 do Código de Processo Penal, argumentando que a medida é essencial para garantir a ampla defesa do réu.
Disputas processuais e suspensão do julgamento
O advogado Elson Marcelino, representante de Carlos Bezerra, negou que o pedido tenha caráter protelatório. Segundo ele, a ausência de um laudo pericial sobre a condição mental do acusado foi identificada apenas quando a atual equipe assumiu o caso, em junho deste ano. Além do pedido de insanidade, a defesa protocolou uma solicitação de suspeição contra a magistrada Mônica Catarina Perri Siqueira.
O julgamento já havia enfrentado uma interrupção na última terça-feira (21). Na ocasião, os advogados abandonaram o plenário alegando falta de acesso a documentos essenciais do processo, o que levou a juíza a reagendar a sessão para o final do mês. Atualmente, a defesa aguarda a análise de um habeas corpus no Tribunal de Justiça de Mato Grosso, sustentando que a realização do júri sem a apreciação desses pedidos pode comprometer o devido processo legal.
Contexto da denúncia do Ministério Público
Carlos Alberto Gomes Bezerra, filho do ex-deputado federal Carlos Bezerra, é réu confesso e permanece preso. O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) sustenta que o crime contra Thays Machado foi motivado pela inconformidade com o fim do relacionamento, caracterizando feminicídio cometido mediante extrema violência.
Quanto à morte de Willian Cesar Moreno, a acusação aponta homicídio qualificado por motivo torpe e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima. O órgão ministerial reforça que o crime foi premeditado e executado com uma pistola semiautomática em uma área urbana de grande circulação, evidenciando o contexto de violência doméstica e de gênero que permeia o caso.