O julgamento dos três homens acusados de envolvimento no assassinato do advogado Roberto Zampieri foi interrompido nesta quarta-feira (29). A sessão, que ocorria perante o Tribunal do Júri em Mato Grosso, precisou ser dissolvida após um dos jurados apresentar um problema de saúde, impossibilitando a continuidade dos trabalhos. Uma nova data para o prosseguimento do caso deverá ser agendada pelo Poder Judiciário.
Andamento processual e oitivas realizadas
Antes da interrupção, o julgamento havia iniciado na terça-feira (28) e avançado com a audição de seis testemunhas fundamentais para o processo. Entre os depoentes, destacaram-se os delegados da Polícia Civil Nilson André Farias de Oliveira e Edilson Ricardo Pick, além do delegado da Polícia Federal Marco Bontempo. Também prestaram esclarecimentos José Marcos Marini, Mariana Costa Pinto e Lucilene Gonçalves da Silva.
A dinâmica do tribunal previa a audição de Coraci Raimundo de Oliveira, arrolada pela defesa do réu Hedilerson Fialho Martins, como a última testemunha do dia. Com a dissolução do Conselho de Sentença, o cronograma foi totalmente alterado, aguardando agora uma nova convocação oficial.
Acusações e o papel dos réus no crime
O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) sustenta a tese de que o crime foi minuciosamente planejado e executado por três indivíduos com funções distintas. Antônio Gomes da Silva é apontado como o executor, responsável pelos disparos que vitimaram o advogado. Hedilerson Fialho Martins Barbosa, militar do Exército e instrutor de tiro, é acusado de intermediar a ação, fornecendo a arma e contratando o atirador.
O terceiro envolvido, o coronel do Exército Etevaldo Luiz Cacadini de Vargas, responde pela acusação de ter financiado o homicídio. A Justiça, ao analisar os indícios de autoria e materialidade, determinou que o trio fosse submetido ao Tribunal do Júri, conforme reportado pelo g1.
Contexto do assassinato em Cuiabá
O crime ocorreu no dia 5 de dezembro de 2023, em frente ao escritório de advocacia da vítima, em Cuiabá. Roberto Zampieri, de 57 anos, foi surpreendido ao entrar em seu veículo, sendo atingido por 10 disparos. Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que o atirador, utilizando um boné, aproximou-se pelo lado do passageiro e efetuou os tiros.
Investigações da Polícia Civil revelaram que o suspeito aguardou a saída da vítima por cerca de uma hora. O executor utilizou uma caixa revestida com plástico para ocultar a arma e abafar o som dos disparos. Embora possuísse um veículo blindado há mais de cinco anos, o advogado não estava utilizando o recurso de segurança no momento do atentado.