O Instituto Médico Legal (IML) de Barra do Garças, em Mato Grosso, teve suas atividades suspensas pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de Mato Grosso (CRM-MT). A interdição ética, efetivada no dia 31 de julho de 2026, foi motivada por uma série de falhas graves na infraestrutura e na gestão da unidade, que colocavam em risco a segurança do ato médico e a dignidade do atendimento à população.
Fiscalização revela precariedade e riscos sanitários
A medida foi fundamentada em um relatório técnico elaborado após inspeções realizadas nos dias 25 de março e 10 de junho de 2026. Durante as visitas, fiscais do órgão encontraram um cenário de negligência, incluindo a presença de produtos químicos com validade vencida há mais de uma década e materiais de exame também expirados. Entre as descobertas mais alarmantes, destacou-se o armazenamento inadequado de ossos humanos, mantidos em um recipiente aberto dentro de um cômodo utilizado para guardar materiais de limpeza.
Deficiências estruturais e falta de condições operacionais
Além dos riscos biológicos, o levantamento apontou a ausência de itens básicos de higiene e infraestrutura. A unidade operava sem acesso a água potável, sem instalações sanitárias adequadas para os profissionais e sem áreas de repouso. A vistoria também detectou a inexistência de alvarás sanitários e de prevenção contra incêndio, bem como a falta de registro formal do estabelecimento junto ao CRM-MT e a ausência de um diretor técnico responsável.
Impacto na medicina legal e próximos passos
O ambiente destinado às necropsias e ao armazenamento de amostras biológicas foi classificado como precário, com falhas críticas no gerenciamento de resíduos infectantes e escassez de equipamentos de proteção individual (EPIs). A estrutura também se mostrou insuficiente para o atendimento de vítimas de violência sexual, violando protocolos de segurança essenciais.
Segundo o presidente do CRM-MT, Adriano Pinho, a interdição é uma medida excepcional, porém necessária para garantir a integridade do exercício profissional. A unidade permanecerá fechada para atos médicos até que todas as irregularidades sejam sanadas e o local passe por uma nova avaliação do plenário do conselho. O órgão informou que outras unidades da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) no estado seguem sob monitoramento rigoroso. Para mais detalhes sobre as normas éticas, consulte o Conselho Federal de Medicina.