A integração entre lavoura e pecuária orienta o sistema produtivo da Fazenda Mirante do Tesouro, em Água Boa (MT). Na propriedade, a produção de soja, milho e capim está conectada à criação e à terminação de bovinos, em uma estratégia que busca aproveitar melhor a área disponível e agregar valor à produção dentro da própria fazenda.
A mudança começou há 11 anos, quando Gilmar Dell Osbel e um sócio adquiriram uma propriedade com pastagens degradadas e infraestrutura precária para a pecuária. A localização e a qualidade do solo, porém, favoreceram a recuperação da área e a ampliação gradual das atividades agrícolas.
Produção integrada dentro da propriedade
A Fazenda Mirante do Tesouro tem 2,1 mil hectares destinados à lavoura e outros 1,2 mil hectares de pastagem perene. A soja ocupa a primeira safra, seguida pelo milho consorciado com braquiária em parte da área, com planejamento que inclui o cultivo de gergelim e a formação de pastagens.
O sistema permite utilizar o capim para o pastejo e o milho na alimentação do rebanho, mantendo os bovinos na propriedade até a venda para o frigorífico. Para Gilmar, a aquisição de terras e os custos de arrendamento exigem investimentos elevados, tornando mais vantajosa a melhoria da estrutura produtiva já existente.
O aproveitamento dos grãos também ocorre em outra propriedade, em Canarana, onde há uma estrutura para esmagamento de soja. O farelo alimenta os animais e o óleo é aplicado na pulverização, permitindo aproveitar os produtos da própria atividade agrícola na pecuária com custos reduzidos.
Milho acompanha a trajetória da família
A relação com o milho começou antes da estruturação do atual sistema, quando Gilmar chegou a Mato Grosso em 1972, aos oito anos, vindo do Rio Grande do Sul. A família participou do processo de colonização do Vale do Araguaia em um cenário de forte escassez de infraestrutura e insumos.
Com o avanço da mecanização e o acesso a calcário e máquinas, a produção se expandiu para atender pecuaristas da região. O pai de Gilmar chegou a adaptar equipamentos para a colheita do grão quando ainda não havia plataformas específicas disponíveis no mercado local.
Estratégia tecnológica e produtividade
Na condução atual das lavouras, a escolha do nível de investimento em tecnologia considera o funcionamento de todo o sistema integrado. O consórcio do milho com a braquiária exige atenção redobrada à umidade do solo, especialmente durante períodos de estiagem na região.
O produtor adota um padrão de média alta tecnologia, avaliando que buscar produtividades extremas nem sempre compensa quando a cultura divide espaço e recursos com o capim. Os resultados obtidos situam-se em patamares estáveis e adequados ao planejamento econômico da propriedade familiar.