O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,07% em julho, consolidando uma trajetória de desaceleração pelo quarto mês consecutivo. O dado, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), coloca o indicador acumulado em 12 meses em 4,44%, retornando ao intervalo estabelecido pela meta oficial do governo.
Retorno à meta e estabilidade do IPCA
O resultado de julho trouxe alívio após meses de pressão inflacionária, situando o acumulado anual dentro da margem de tolerância definida pelo Conselho Monetário Nacional. A meta central é de 3%, com um intervalo de tolerância que permite variações entre 1,5% e 4,5%. Após ultrapassar o limite superior em maio e junho, o índice atual reafirma o controle sobre a escalada de preços.
O desempenho do mês ficou em linha com as expectativas do mercado financeiro, conforme apontado pelo boletim Focus. Para o fechamento de 2026, as instituições financeiras projetam que o indicador encerre o ano em 5,02%, mantendo o monitoramento constante sobre a política monetária conduzida pelo Banco Central.
Impacto da queda nos preços de alimentos
O grupo de alimentação e bebidas, que possui o maior peso no orçamento das famílias, foi o principal responsável pela moderação do índice, registrando deflação de 0,67% em julho. Este é o segundo mês seguido de recuo no setor, impulsionado principalmente pela maior oferta de produtos no campo, favorecida por condições climáticas mais estáveis.
Itens essenciais da cesta básica apresentaram quedas significativas, como o tomate (-29,09%), a batata-inglesa (-19,59%) e a cenoura (-14,41%). O café moído também registrou recuo de 2,45%, acumulando uma queda de 17,2% em 12 meses, o que representa o maior declínio para o produto desde o início do Plano Real, em 1994.
Pressão nos custos de energia e transportes
Apesar do alívio nos alimentos, o grupo de habitação exerceu pressão contrária, com alta de 0,99% influenciada majoritariamente pela energia elétrica, que subiu 3,09%. O impacto foi concentrado em reajustes tarifários aplicados em cidades como São Paulo, Porto Alegre e Curitiba. Contudo, a expectativa é de que o cenário para a conta de luz melhore em agosto com a implementação do Bônus Itaipu.
No setor de transportes, o comportamento foi misto. Enquanto as passagens aéreas registraram uma elevação expressiva de 11,67%, os combustíveis ofereceram um contraponto positivo. A gasolina, o etanol e o óleo diesel apresentaram quedas de 1,37%, 2,26% e 1,22%, respectivamente, contribuindo para conter a pressão inflacionária do grupo no período.