Nem bem a gestão Mauro Mendes (União) se livrou da nebulosa negociação de créditos...
Nem bem a gestão Mauro Mendes (União) se livrou da nebulosa negociação de créditos da ordem de R$ 700 milhões com a telefônica Oi S/A, um novo (e nebuloso) acordo se coloca perante o Governo de Mato Grosso, após a deflagração da maior operação policial do Brasil, a Carbono Oculto, que apura o envolvimento da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) na lavagem de dinheiro, por meio de fundos de investimentos.
Do total de R$ 700 milhões, R$ 308 milhões foram pagos a dois fundos de investimentos e o restante foi consignado como desconto pelo pagamento de dívidas junto à Oi S/A, após meses de dúvidas e incertezas, que se dissiparam muito mais por decisão judicial do que por convencimento, já que a operação foi considerada legal, mas imoral.
A MTPar, sociedade de economia mista que auxilia o Governo a promover a geração de investimentos no Estado, desenvolvendo projetos estratégicos com parcerias público-privadas, sob o argumento de trazer "a eficiência da iniciativa" privada para o serviço publico, contratou, com dispensa de licitação, por 36 meses, a Reag Distribuidora de Títulos e Valores.
Segundo a força-tarefa formada pela Polícia Federal, Receita Federal e Ministério Público, a Reag é uma das principais empresas utilizadas pelo PCC na compra de empresas e usinas e paraa blindagem do patrimônio de envolvidos em crime de lavagem de dinheiro.
O DIÁRIO teve acesso à publicação do Extrato do Contrato 037/2023/MTPar, que tornou publico a contratação da Reag Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S/A, com o seguinte objeto: "Contratação de empresa especializada para prestação de serviços para fundo de investimento e de administração, gestão, escrituração, custódia e controladoria e prestação de demais serviços fiduciários".
A Reag foi contratada pelo Governo Mauro Mendes por R$ 1,170 milhão, valor global, sendo que, antes deste contrato, a MTPar já havia sido contratada para realizar os mesmo serviço, mas por seis meses.
Procurado pela reportagem, Werner Santos, presidente da MTPar, não retornou as ligações e nem mensagens encaminhadas solicitando esclarecimentos sob a atuação da Reag, bem como de outras empresas fintechs que atuaram junto ao Governo de Mato Grosso, em operações consignadas para os servidores do Poder Executivo. Os quais, por sinal, estão superendividados diante do descontrole nas liberações de margens consignadas e da incompetência da Secretaria de Planejamento e Gestão (Seplag) para controlar a atuação das empresas consignatárias.
A Reag Investimentos, uma das empresas acusadas pela Polícia Federal de ser ferramenta de lavagem de dinheiro pelo PCC, temi uma série de negócios adquiridos e parcerias apenas nos últimos dois anos.
É é uma das principais gestoras de patrimônio do país e se define como a "maior independente", sem ligação com bancos.
Atualmente, ela possui cerca de R$ 299 bilhões sob sua administração, de acordo com o Ranking de Gestão da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), de fevereiro de 2025.
A Reag é de João Carlos Mansur, que também é conselheiro do time de futebol Palmeiras, e foi fundada em 2012. No início, ela geria apenas recursos e fundos imobiliários.
Nos últimos dois anos, a Reag iniciou um processo de expansão acelerada, com múltiplas aquisições, como as das casas de crédito Empírica e Quasar.
Em 2024, Mansur falou à revista Veja Negócios que não pretendia parar por aí. "O mercado está maduro para uma consolidação. A junção entre a necessidade de ganhar escala e o aumento das exigências regulatórias tem estimulado vários negócios", disse.
Também em 2024, a Reag finalizou a compra da GetNinjas (uma plataforma de contratação de serviços) e garantiu sua entrada na B3, a Bolsa de Valores de São Paulo. O processo foi realizado aos poucos, desde 2023, por meio da compra silenciosa de ações.
Segundo informações da Folha de S. Paulo, a CVM (Comissão de Valores Imobiliários) avaliou que a Reag demorou para deixar clara a intenção de que pretendia assumir a GetNinjas e abriu processo para apurar irregularidades.
Diante das incorporações, a Reag Trust (um braço da empresa) foi desmembrada em uma segunda "empresa-irmã", a Ciabrasf (Companhia Brasileira de Serviços Financeiros). Mansur também é presidente do conselho do novo negócio, que administra fundos e serviços fiduciários.
Assim, ela se tornou a primeira empresa do seu segmento com ações na B3. A empresa acumulava queda de 14,36% no valor de suas ações hoje, em reação do mercado à Operação Carbono Oculto e à execução de mandados de busca e apreensão em sua sede. No dia, é a empresa na B3 que experimenta a segunda maior desvalorização.
Até o fim de 2024, a Reag "engoliu mais empresas", entre elas a Berkana Patrimônio e a Hieron Patrimônio Familiar. Estas aquisições, segundo a própria Reag, a consolidaram nos segmentos de gestão de riquezas e de patrimônios, com "destaque pelo volume de ativos sob gestão".
Em junho, a Reag fez uma oferta de R$ 500 milhões através de sua holding para criação da SAF (Sociedade Anônima do Futebol) do Juventus de São Paulo. Os sócios aprovaram o investimento no clube, mas ele não é o único na mira da Reag, que também teria oferecido o mesmo valor para adquirir 90% da SAF do Vila Nova, segundo a Veja Negócios.
Esta rapidez de crescimento chamava atenção na Faria Lima, segundo a revista, e comentava-se nos bastidores que "não se sabia mais qual o foco da gestora".
Por meio de comunicado aos acionistas e mercado, a Reag e a Ciabrasf confirmaram que foram alvos dos mandados de busca e apreensão da Operação Carbono Oculto. Elas informaram que "estão colaborando integralmente com as autoridades competentes".
Ambas ainda garantiram que estão "fornecendo as informações e documentos solicitados" e que permanecerão "à disposição para quaisquer esclarecimentos adicionais".
CARBONO OCULTO - A operação foi deflagrada pela Receita, Polícia Federal e outros órgãos, na quinta-feira (28).
A investigação quer desmantelar um esquema de fraudes e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis. Além de postos, estão na mira várias empresas envolvidas na cadeia de importação, produção e distribuição.
O esquema conta com estrutura financeira para lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio. Nela, conforme a Receita Federal, o PCC se utilizava de fintechs e de dezenas de fundos de investimentos.
A operação cumpriu mandados de busca e apreensão contra cerca de 350 alvos - inclusive, em Mato Grosso.
Dos 350 alvos, 42 estão localizados na Avenida Faria Lima, maior centro financeiro do país, localizado em São Paulo.
Mais de R$ 1 bilhão em bens foram bloqueados. O valor deve ser usado para a garantia de crédito tributário, informou a Receita.
Ë importante lembrar que os R$ 308 milhões pagos pelo Governo de Mato Grosso, a título de cumprimento de sentença judicial decorrente de uma ação vencida pela Empresa de Telecomunicação Oi S/A, foram depositados na conta de dois fundos de investimentos: o Royal Capital e Lotte Word, gerenciados por Fernando Luiz de Senna Figueiredo, que mantém negócios com Luiz Antônio Taveira Mendes, filho do governador Mauro Mendes.
O goverador, por meio de suas empresas, teria negócios ainda com outras empresas e fundos de investimentos que estão na mira da Receita Federal e das autoridades que deflagraram a Operação Carbono Oculto.
Com informações do portal UOL


