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O Brasil ganhou uma nova Unidade de Conservação (UC) no Cerrado mineiro e ampliou áreas protegidas no Pantanal. Juntas, as medidas representam um acréscimo de 148 mil hectares sob proteção ambiental.

Em Minas Gerais, a novidade é a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Córregos dos Vales do Norte de Minas. No Mato Grosso, foram ampliadas as áreas do Parque Nacional do Pantanal Matogrossense (PNPM) e a Estação Ecológica do Taiamã.
O anúncio foi feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no domingo (22), durante a COP15 da Convenção sobre Espécies Migratórias, que acontece em Campo Grande.
A gestão de UC é da responsabilidade do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), autarquia do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA).
“A medida foi construída com base em evidências técnicas, escuta qualificada e cooperação institucional consistente, que reforça a proteção de áreas essenciais para o pulso de inundação do Pantanal, fenômeno que sustenta sua biodiversidade, regula os ciclos ecológicos e garante a resiliência desse sistema único frente à mudança do clima”, explicou a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva.
“Igualmente importante é a criação da nova UC no Cerrado, que alia justiça social e conservação, e foi construída com a participação direta das comunidades geraizeiras”, acrescentou Marina Silva.
Veja, abaixo, mais detalhes sobre Unidades de Conservação ampliadas e a nova reserva:
Taiamã
A Estação Ecológica do Taiamã foi criada pelo Decreto nº 86.061, de 2 de junho de 1981.
Ela abrange o município de Cáceres, no Mato Grosso, a 220 quilômetros da capital Cuiabá. Com a ampliação, a área total da estação vai passar de 11,5 mil para 68,5 mil hectares.
Segundo informações do ICMBio, Taiamã é uma ilha fluvial delimitada pelo Rio Paraguai e constituída principalmente por campo inundável, com uma variedade grande de ambientes aquáticos - como lagoas permanentes, temporárias, lagoas de meandro e corixos.
O nome da estação tem origem na gaivota pescadora Taiamã, também conhecida como Trinta-réis (Phaetusa simplex).
A UC permite a sobrevivência e a reprodução da fauna ictiológica (conjunto de peixes), de diversos representantes da avifauna (conjunto de aves), além de espécies vegetais, que vão desde ervas até árvores de grande porte.
Em 2021, pesquisadores descobriram uma comunidade de onças que pescam peixes e jacarés para se alimentar. O hábito é diferente de outros felinos da espécie, que se alimentam de mamíferos terrestres.
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Córrego dos Vales do Norte de Minhas Gerais - Foto: ICMBIO/divulgação
A ampliação da estação ecológica era uma demanda antiga de pesquisadores da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), que a defenderam em consulta pública realizada pelo ICMBio no fim do ano passado.
“Pesquisas científicas demonstram que a área atual não é suficiente para proteger adequadamente a população de onças-pintadas e as 131 espécies de peixes identificadas”, ressalta o professor da Unemat, biólogo, doutor em Ecologia e Recursos Naturais, Claumir Cesar Muniz.
“A ampliação garantirá território suficiente para manter a viabilidade genética da onça e proteger os berçários naturais de peixes”, explicou o professor da Unemat.
“Para além desses serviços, é importante também destacar que maior área conservada significa mais sequestro de carbono, regulação climática e purificação da água, beneficiando diretamente a qualidade de vida humana”, destacou o professor e pesquisador Ernandes Sobreira.
Parque Nacional do Pantanal
O Parque Nacional do Pantanal Matogrossense (PNPM) foi criado pelo Decreto nº 86.392, de 24 de setembro de 1981.
Ele abrange o município de Poconé, no Mato Grosso, a cerca de 100 quilômetros da capital. Com a ampliação, a área total do parque vai passar de 135,9 mil para 183,1 mil hectares.
Os limites do parque incluem o Rio Paraguai, ao sul e a oeste; o Rio Caracará Grande, a noroeste; o Rio São Lourenço, a sudeste; o Rio Caracarazinho, a leste, e zona de inundação periódica, de influência dos rios Alegre e Caracarazinho, ao norte.
Também tem uma ligação com a Área Natural de Manejo Integrado San Matias, localizada na Bolívia.
O parque é considerado de alta inundação, por períodos de até oito meses. Além da água do Rio Paraguai, recebe água do São Lourenço, por transbordamentos do leito durante as cheias.
O ICMbio divulgou uma lista de espécies ameaçadas, que são protegidas nessa UC.
Entre elas, estão o Gato-maracajá, o Tamanduá-bandeira, a Onça-pintada, Jacu-de-barriga-castanha, Tatu-canastra, Ariranha, Caboclinho-do-sertão, Estilete e Cervo-do-pantanal.
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Parque Nacional do Pantanal - Foto: Palê Zuppani/ICMbio
Reserva no Cerrado
A nova Reserva de Desenvolvimento Sustentável Córregos dos Vales do Norte de Minas vai ter 40,8 mil hectares.
A unidade abrange áreas dos municípios de Riacho dos Machados, Rio Pardo de Minas e Serranópolis de Minas, que ficam a mais de 600 quilômetros de Belo Horizonte.
A expectativa é conservar as nascentes que abastecem a região e as áreas de extrativismo.
A nova UC se conecta com outras áreas de conservação no Cerrado, como o Parque Estadual Serra Nova, e fica próxima do Parque Estadual Grão Mogol.
Segundo o governo federal, a criação também foca na proteção das comunidades tradicionais que vivem nas áreas de chapadas e vazantes drenadas pelos córregos Tamanduá, Poções e Vacaria.
É o caso dos os geraizeiros, que vivem na região desde, pelo menos, o século 19. A UC poderá reduzir as vulnerabilidades sociais e assegurar direitos territoriais.
“A criação da reserva reconhece a importância histórica das comunidades geraizeiras, que há gerações cuidam da natureza. A nova reserva protege seus territórios e fortalece um modo de vida que sabe viver em equilíbrio numa região de encontro entre o Cerrado e a Caatinga”, disse Mauro Pires, presidente do ICMBio.
“Cada nova área protegida significa mais cuidado com nossas florestas, nossos rios e nossa biodiversidade. Significa também mais força no enfrentamento do aquecimento global, como a própria ciência já demonstrou”, ressaltou Mauro Pires.
Fonte: Agência Brasil
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Rochas plásticas foram encontradas em ninhos de tartarugas na ilha de Trindade, no Atlântico Sul, a mais de mil quilômetros do litoral do Espírito Santo. 

A descoberta, publicada este mês na revista científica Marine Pollution Bulletin, reforça o alerta sobre a poluição marinha e a possibilidade de que esses materiais se integrem de forma permanente aos processos geológicos da Terra.
O fenômeno foi identificado pela primeira vez no Brasil em 2019 pela geóloga Fernanda Avelar Santos, que atualmente é pesquisadora de pós-doutorado da Universidade Estadual Paulista (Unesp).
“Trata-se de um novo tipo de poluição marinha. Um material geológico aparentemente comum, em que se observa a ocorrência de rochas vulcânicas, areia de praia e materiais biogênicos, mas com a diferença de que tudo isso é cimentado por plástico”, explica a pesquisadora.
Segundo ela, as rochas plásticas despertam preocupação quanto à quantidade de lixo produzida e à forma como o é feito o descarte.
Formação das rochas
As análises laboratoriais identificaram principalmente polietileno e polipropileno, dois dos polímeros mais utilizados pela indústria devido ao baixo custo e à versatilidade. A formação dessas rochas ocorre quando resíduos plásticos presentes no lixo marinho são queimados ou expostos a altas temperaturas.
Apesar da presença humana limitada na ilha, onde apenas pesquisadores e militares permanecem temporariamente, o local recebe grandes quantidades de resíduos. A posição geográfica favorece o acúmulo de lixo: a ilha fica no caminho de rotas marítimas e no sistema de circulação do Giro do Atlântico Sul (sistema de correntes oceânicas superficiais entre a América do Sul e a África).
Análises mais recentes feitas na Unesp também identificaram aditivos e corantes nos fragmentos plásticos, substâncias que aumentam a durabilidade do material no ambiente.
Os resultados indicam que grande parte do plástico incorporado às rochas tem origem em cordas marítimas de polietileno de alta densidade, amplamente utilizadas na navegação comercial e na pesca industrial.
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Análises laboratoriais identificaram principalmente polietileno e polipropileno. Foto: Fernanda Avelar Santos/Divulgação
Ninhos de tartarugas
A área inicial onde as rochas plásticas foram identificadas em 2019 ocupava cerca de 12 metros quadrados, mas foi reduzida em 45% devido à erosão. O desgaste fragmentou essas estruturas em partículas classificadas como mesoplásticos e microplásticos, com tamanhos entre 1 milímetro e 65 milímetros.
Esses fragmentos passaram a ser transportados por ondas, marés e ventos. Parte do material foi encontrada em áreas próximas ao mar, onde o atrito com a água arredondou os fragmentos. Outros pedaços foram descobertos no interior de ninhos de tartarugas, soterrados a até 10 centímetros de profundidade.
A ilha de Trindade abriga um importante local de reprodução de tartarugas-verdes, especialmente na chamada Praia das Tartarugas. A área é protegida como Monumento Natural (MONA), uma categoria de unidade de conservação.
Antropoceno
A pesquisadora também investiga se essas formações podem permanecer preservadas por tempo suficiente para se tornarem registros estratigráficos: camadas geológicas capazes de contar a história da Terra ao longo de milhares ou milhões de anos.
Se isso ocorrer, as rochas plásticas podem fortalecer o argumento dos que defendem a existência de uma nova época geológica do planeta, em que as atividades humanas provocam mudanças irreversíveis: o Antropoceno.
A classificação ainda está em debate. A Comissão Internacional de Estratigrafia, responsável pela definição oficial da escala do tempo geológico, decidiu em 2024 adiar por cerca de uma década uma decisão definitiva.
Desde 2025, Fernanda Santos participa de pesquisas na Western University, no Canadá, em colaboração com a geóloga Patricia Corcoran, pioneira no estudo dessas formações. No laboratório, experimentos simulam o envelhecimento das rochas plásticas sob condições extremas de radiação ultravioleta, calor e umidade.
O objetivo é avaliar se esses materiais podem resistir ao tempo e se preservar em camadas profundas da Terra.
“Durante o último ano, nós simulamos o clima de ilhas oceânicas sobre as amostras provenientes das ilhas de Trindade e Fernando de Noronha, e do Havaí. Queremos simular o que acontece com essas rochas ao longo do tempo na superfície e em grandes profundidades da Terra”, diz Fernanda.
Fonte: Agência Brasil
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Apesar de não terem entrado na decisão final das negociações da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), os mapas do caminho para o fim do desmatamento e da dependência dos combustíveis fósseis ainda serão construídos, afirma a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva.

Em entrevista após participação no programa Bom Dia Ministra, do CanalGov, da Empresa Brasil de Comunicação, Marina ela destacou que o Brasil permanece na presidência do processo multilateral que trata da mudança do clima até o final de 2026. Com o apoio de 82 países, da sociedade civil e comunidade científica, a liderança se comprometeu a dar continuidade aos esforços da conferência.
“A presidência brasileira vai viabilizar os esforços e criar as bases para que cada país possa, de forma autodeterminada, fazer o seu próprio mapa do caminho, tanto para sair da dependência de combustível fóssil, quanto para frear o desmatamento”, afirma.
Internamente, o país já trabalha, de acordo com a ministra, para zerar o desmatamento com políticas adotadas pelo governo federal desde 2003. Também trabalha no processo de afastamento dos combustíveis fósseis de forma justa, planejada e gradativa e avança com uma matriz energética composta por 45% de energia limpa.
Segundo Marina Silva, apesar de um processo decisório em momento difícil para o multilateralismo, houve resultados muito positivos como os indicadores de adaptação, as recomendações de triplicar recursos para a adaptação de países em desenvolvimento, a inclusão de povos tradicionais como contribuidores das ações climáticas, dos cuidados especiais com as crianças e a participação das mulheres nas decisões.
“Sabemos da dificuldade no processo decisório em um contexto geopolítico tão difícil como este que estamos vivendo, em que os Estados Unidos saíram do Acordo de Paris e têm força gravitacional no sentido de tentar barrar os avanços”, afirma a ministra.
Marina Silva também comemorou a intensa participação social, depois de quatro COPs em países com governos singulares, em que a participação da sociedade não é prevista.
“Tivemos uma COP30 com alta qualidade na participação da sociedade, da comunidade científica, do setor empresarial. Foi algo realmente surpreendente”.
Além dos mecanismos criados para a mobilização popular com os Círculos dos Povos, dos Ministros de Finanças, dos Ex-presidentes de COPs e do Balanço Ético Global, a sociedade esteve presente em Belém e em todo o processo de negociação, disse Marina. “A participação social fez a diferença. Foram mais de 300 mil pessoas que passaram pela Zona Verde. Dentro da Zona Azul, uma área que não tinha a tradição de participação social, a presença da sociedade foi incrível.”
Investimentos verdes
Para Marina Silva, o Brasil precisa agora se preparar para ser o endereço dos investimentos verdes em um cenário global que não admitirá mais pressão sobre recursos hídricos, floresta e biodiversidade.
“Não é mais a lógica de transformar natureza em dinheiro. É usar o dinheiro que foi ganho em prejuízo da natureza e investir em energia limpa, do sol, do vento, da biomassa, aumentar a produção agrícola por tecnologia, ganho de produtividade, fazer com que os investimentos agora sejam otimizados, não sendo concentrado o lucro em poucos”, destaca.
Na avaliação da ministra, é possível transformar a urgência climática em oportunidade de construir novo modelo de desenvolvimento global. “Esse é o desafio que está posto para a humanidade, principalmente para os governos, para as empresas e o setor financeiro, de olhar para essa crise e estabelecer os novos padrões de desenvolvimento para esse novo normal”, conclui.





